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Naruto RPGAkatsukiNão é o único, simplesmente o melhor!
Arco 11:
Reino de Lilith: PesadeloAno: 71DG
Após uma dura jornada, Shaka finalmente caiu e teve a maldição retirada de seu coração. No entanto, os problemas trazidos pela família Hattori não se extinguiram. Shion revelou ter ajudado a libertar Lilith, uma monarca da dimensão infernal, que agora está possuindo o corpo de Hyuga Katsura e libertando uma horda de seres infernais contra este mundo. O mundo corre risco de ser consumido pela maldade dessa criatura, mas não se o plano de Shion der certo: forçar Lilith a causar um evento chamado de O Grande Eclipse, onde as portas de todos os mundos e dimensões ficarão abertas, e assim permitir a ele ir ao submundo resgatar sua amada Katsura Grey para finalmente selar Lilith.
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[Filler] Ateliê. - 11/2/2020, 18:47

Toru conseguiu um trabalho no ateliê. Apesar de seu gosto por arte ser limitado a uma somente, ela aceitou de bom grado a oportunidade. Complementava bem a sua renda de genin e não a atrapalhava em suas tarefas, que era mínimas e tomavam pouco do tempo diário. Mas a arte praticada ali parecia-lhe distante. As outras mulheres que trabalhavam com ela, e dois homens, fechando o grupo, se dedicavam durante todo o dia em pinturas que tomavam horas, telas preenchidas com tintas das mais variadas cores: um dos homens gostava de azul e todas as suas telas tinham esse aspecto melancólico, céu azul, mar azul, pessoas azuis, árvores azuis — tudo azul.

O tempo de verão deixava o ateliê abafado e eventualmente alguém chegava para abrir as janelas, escancará-las. Toru, ali, era mera aprendiz, e servia os pintores com suas tintas, pincéis e panos. Mas sua cabeça ficava sempre longe, vagando algures. Criava imagens mentais de como seriam suas próximas marionetes, já tendo esquecido daquela que estava quase pronta, apenas esperando pelos toques finais, finalizando a pintura e ajustando uma articulação aqui ou ali, enchendo os estoques de armas e enrolando a corrente. Se dada uma tela à Toru, ela provavelmente a preencheria com uma de suas marionetes futuras. Um projeto qualquer por ser feito. Quem sabe não tornaria-se ela mesma uma marionete? Viver era um fardo grande demais, essa missão, percebeu, não poderia dar cabo.

Perto da porta, repousava um quadro, emoldurado, embora largado num canto, apoiado no rodapé. Era uma representação artística de um corpo feminino, os traços da pele borrados e linhas fortes para as veias, todas as presentes do corpo, dos pés até a cabeça. Era esguio, sem olhos, boca ou outro detalhe. Apenas veias. E um coração pulsando no centro, não no lado esquerdo do peito como deveria ser, mas exatamente ao centro. E bem fora de proporção, enorme, ocupando sozinho quase metade do tronco. Naturalmente, não poderia ser representativo de um corpo real. Com o tempo, ela perdeu o interesse em observar. Concluiu que faltava substância àquela pintura, embora se recusasse a fazer uma ela mesma.

A rotina de auxiliar com as tarefas banais, indo de lá para cá e servindo potinhos de tinta, não a deixava entediada, tampouco minimizada nos próprios méritos. Gostava, até certo ponto, da serventia. Era boa naquilo, prestativa e atenciosa, portanto uma boa distração para o fato de que quase tinha sido reprovada na academia. Suas notas, especialmente no que dizia respeito ao combate, todas péssimas. Uzushiogakure não levava em conta talentos específicos, como a criação e manipulação de marionetes, portanto sobrava para Toru somente o malabarismo de iniciante que ela conseguia fazer com aquelas pequenas armas de metal laminado. Mas para seus instrutores aquilo beirava um truque circense, sem uso, considerando que mais da metade da turma tinha alguma proficiência em disparar projéteis. Ela era ligeiramente melhor que o resto, mas ainda assim aquilo não lhe dava valor algum.

Após o expediente, sendo a última a ficar, terminou de recolher os pertences deixados largados nos cantos. Um cavalete sem tela, disposto próximo à janela, bamboleando na brisa do fim de tarde — ela o desmontou e foi colocá-lo junto aos demais, numa pequena sala aos fundos. Depois recolheu todas as paletas de cores e pincéis, num total de cinco pares, deixados lado a lado sobre alguns móveis na área de pintura. Devolveu aos respectivos potes cada tinta que restava, lavou os pincéis e, enfim, seu trabalho estava feito. Apagou as luzes e trancou a porta. Pela manhã, ela seria a primeira a chegar e teria de preparar cavaletes e tintas, acender as luzes, abrir as janelas de antemão caso estivesse já calor à primeira luz; tudo deveria estar na perfeita ordem, para que os verdadeiros artistas chegassem sem preocupações que não a arte.

De volta a casa, sua marionete quase concluída aguardava. Possuía cabelos brancos, como os de Toru, um par de olhos cor de oliva — embora oscilasse de cor no jogo de luzes, parecendo adquirirem um tom mais escuro, bem próximo ao preto, em alguns momentos —, também imitando Toru, assim como um corpo pequeno e magro, como o de Toru, e uma pele de cor morena, quase bronze, assim como Toru. A marionete, excluindo o fato de ser feita toda de madeira e possui em seu corpo alguns truques mortais, havia sido feita à imagem e semelhança de sua criadora. Toru passara noites e dias a fio, tirando as próprias medidas; encontrando peças que pudessem encaixar perfeitamente, sem ranger, as lubrificando se necessário, mas sempre com o cuidado para que tivessem um perfeito equilíbrio entre poder e durabilidade; cortando seus cabelos, pouco a pouco, em ritmo menor do que cresciam, para criar uma peruca para sua criação. Não estava pronta, ainda, mas estava quase.

Construir Toru, que era como se chamava esta marionete, lhe servira de aprendizado. Aprendera não somente um pouco mais sobre o processo de criação de suas ferramentas, como também um pouco mais sobre o corpo humano, em especial o próprio corpo. Estava ansiosa para usar sua criação, o mais breve que fosse possível, pois havia sido prodigiosa em fazê-la. Mas ao mesmo tempo tinha certa apreensão de como seria recebida, os olhares, o espanto pela semelhança e pela arte propriamente dita: Uzushiogakure era uma terra de tecnologia agora, construída sobre ruínas e decadência; o que simbolizava não poderia combinar com bonecos de madeira e arte ultrapassada. A determinação para provar  errado qualquer um que pensasse dessa forma era grande, mas vacilava.

Veio-lhe à mente aquela cena nebulosa e agora, como não passava de uma memória, era como se pudesse congelar e avançar a cena ao bel prazer, seus olhos saltando de ponto a ponto como se fossem os olhos de uma ave de rapina caçando, todos aqueles pontos vulneráveis capturados pelo olhar — uma abertura sob o antebraço, as costelas desprotegidas, um vislumbre da retaguarda, um passo em falso. A respiração ficou acelerada, ofegante, como se o cérebro tivesse dificuldade em processar tudo aquilo. Toru, contudo, sabia ser uma mentira isto. Seu cérebro era extremamente funcional, talvez até demais, o que lhe falhava era as emoções, sempre fora de controle, sempre estáveis, a beira do colapso.

No dia seguinte, voltou ao trabalho. Chegou por volta das sete horas da manhã e, como de costume, era a primeira. Acendeu as luzes, removeu os panos que cobriam alguns móveis, varreu brevemente a poeira e preparou tudo. Enquanto aguardava todos chegarem, ficou a encarar uma nova vez aquela pintura que repousava esquecida contra o rodapé. Um corpo surrealista, percebeu agora, com as veias sobre a pele e um coração muito grande e pulsante ao centro, sua proporção em relação ao resto do corpo sendo também surreal. Agora, observando uma segunda vez, parecia ter uma beleza diferente, até mesmo fazer algum sentido. Esse corpo, assim como os corpos daquela cena que se repetia incessantemente em sua memória, lhe dava vislumbres de vulnerabilidade, mas não era proposital, os méritos eram todos dela.

Pouco a pouco, o ateliê foi enchendo, três chegaram de uma só vez e depois os demais um a um, até que todos tomaram seus postos e começaram a pintar; alguns passavam grande tempo debruçados no peitoril da janela, buscando inspiração na paisagem de verão do lado de fora, pássaros em revoada e transeuntes despreocupados caminhando para uma rotina inescapável. Toru não deixou de cumprir suas responsabilidades em razão de observar a tela, mas sempre que passava por ela se pegava detida ali um minuto, às vezes dois ou três, observando, de forma que nem notava o tempo passado, até ser chamada por uma voz cansada ou um assobio.

Naquele dia, Toru ficou no ateliê mesmo quando todos já haviam partido há muito. Pegou uma tela em branco e desenhou sua mais recente — era a única, na verdade — criação. Todos os detalhes à mostra, como se fosse um desenho expositivo, o corpo disposto como que deitado sobre uma mesa cirúrgica, os braços rentes a lateral do corpo, as pernas levemente separadas apenas. Desenhou pontinhos em cada articulação, não usando os pincéis, mas lápis de cor preto. Depois tomou alguma distância, contando vinte passos, até estar no outro extremo da sala. Pesou na mão suas kunais, girando-as, atirando-as contra o ar e as pegando antes que caíssem no chão, pouco antes de arremessar todo seu arsenal contra a tela. Uma a uma, as armas se cravavam na tela, e àquela distância sua perícia pesava mais que a falta de força no arremesso, a precisão compensando.

Satisfeita com o progresso, Toru pensou consigo que progredira um pouco mais, um passo adiante, mais alguns e poderia se dizer competente como genin.

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Palavras: 1446 - Treinamento de Conhecimento Anatômico incluído.
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Indra
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Re: [Filler] Ateliê. - 11/2/2020, 19:11

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Edição de Aniversario por Shion e Senko.