>
Naruto RPGAkatsukiNão é o único, mas simplesmente o melhor!
Arco 11:
Reino de Lilith: PesadeloAno: 70DG
Hanatarō olha para a vila do topo do prédio do Departamento de Pesquisa. Há dois anos era uma salinha no fim do laboratório geral da vila, agora tinha seu próprio prédio tão alto quanto o próprio escritório do Kazekage. Hanatarō sorri vendo as pessoas andando felizes na nova vila construída graças aos avanços científicos realizados com a inteligência de Takura, sua mentora. Antes, ele só via uma vila pobre, com construções de areia frágeis, com um horizonte desértico, dependendo de outras vilas, inclusive de Konoha, para conseguir sobreviver, mas agora... Sunagakure estava grandiosa novamente e tinha comprado sua independência. As construções ainda tinham porções de areia, mas eram forjadas em metais nobres, em ouro, em prata, criando grandes casas e prédios. As lojas estavam cheias de especiarias únicas, pois o trabalho de encontrar certos ingredientes se tornou muito mais prático desde que a vegetação voltou a florescer nos arredores da vila; onde antes era só deserto agora possuía vielas de relva, florestas, rios e uma fauna cheia de roedores, mamíferos e carnívoros.
Sumário
Mapa
Staff
Discord
Facebook
Contos
Estação: Inverno

Convidado
Convidado
Anonymous
Vilarejo Atual

[FILLER/ALVORADA] céu nublado - em Qua 29 Jan 2020, 02:56



[FILLER/ALVORADA] céu nublado 7aa1b5721bbabda3058bc848eda19639
céu nublado


Certamente o pássaro que me acordara com as batidas das bicadas desesperadas atrás do inseto do outro lado do vidro não era muito inteligente. Talvez fizesse dois minutos inteiros desde que as tentativas falhas deixavam de lhe dizer que o invertebrado além de inalcançável, estava morto. Espantei o inútil com dois petelecos no vidro, lentamente despertando minha percepção a respeito do mundo. Há um momento bastante prazeroso quando acordamos, onde estamos com os sentidos do corpo funcionando, mas a mente ainda banhada por resquícios de inconsciência do sono afastava do seu território os problemas e lembranças recentes do pior tipo. Lavei o rosto e me preparei da melhor forma que o aposento permitiria. Dez minutos fora o tempo decorrido até alguém entrar e surpreender-me com o desjejum. Enquanto me servia, fui atualizado das minhas condições físicas e burocráticas com a vila, seria necessário esperar ali.

Minha memória consegue alcançar até a última escuridão que assolava meus olhos. Normalmente eu diria que fora submetido ao preto que na verdade acolhe todo o ser, e não apenas a visão, mas nessa vez foi diferente. Experienciei alguns dos principais sentidos deixarem-me com a facilidade de dentes-de-leão ao vento. A consciência acompanhava com um pouco mais de resistência, surda, muda, cega, sem qualquer noção de espaço ou de ser, mas o tato ainda resistia. É errado dizer resistir, na verdade ele continuava o mesmo. Talvez eu me sentisse como alguém dividido em várias partes, muitas delas anuladas, mas uma continuava viva e tão familiar quanto qualquer resquício de pensamento próprio. Sentia o sangue correndo por todo o antebraço e gotejando quando o percurso morria no cotovelo, os músculos inferiores rápidos e felinos, corriam como o próprio vento e esmagavam como o mesmo se assim quisessem, ossos quebrando, pele rasgando, suor empapando, nada mais restava ao meu fragmento de ser se não apegar-se ao que lhe sobrava de único e agradável, e não é o tato, não se engane. Era poder observar. Foi o que expliquei cinco vezes exatamente. De todas essas, apenas uma recebeu junto total cordialidade e o desejo do ato, uma senhora enfermeira encarregada de me prestar os melhores primeiros cuidados que um paciente poderia receber. As outras quatro resumem-se a militares autoritários aos quais não adiantaria muito relutar em revelar as intimidades do seu ser, eles conseguiriam a sinceridade de uma forma ou de outra.

Relatei os objetivos e incumbências que me levaram até à floresta onde fui encontrado, os raciocínios e metodologias, os erros e o que poderia ser feito diferente nas vezes que tinha a oportunidade de detalhar mais, o cárcere e o experimento. Essa última parte fora difícil e nublada, tudo que se tratava da maldição ainda era muito vago. Fiquei um dia no hospital, para o espanto retido de alguns encontros, e não tive a oportunidade de ir pra casa logo ao sair, minha presença “novamente estava sendo requerida para tratar de assuntos referente aos ocorridos em seus últimos deveres em missão realizada no dia” bla bla, desgraçados.  

Deixei de lado por um momento a suposta urgência em me receberem em qualquer escritório e coloquei-me a passear em direção à feira. Não tinha intenção alguma de compra, muito menos de interação e divertimento. Bom, divertimento eu buscava de certa forma, ver Kaname era o que cada célula do meu corpo necessitava, ouvi-la e ser ouvido seria um abraço materno. Minhas esperanças deixaram de existir rapidamente, apesar dos ferimentos ainda em processo de cura, pude voar até o centro e constatar a inatividade do evento. Sem multidões andando de um lado ao outro, conclui rapidamente que não seria minha tarde de sorte.

- Não pudemos deixar de analisar cada centímetro daquele lugar, você entende. Apesar da ira efervescente crescendo da pele pra dentro, tanto pela inconveniência de toda aquela situação quanto pelo tom autoritário sutilmente implícito no “você entende” sem qualquer entonação para pergunta, no exterior eu nada mais era que o resultado de anos de prática com atores da melhor qualidade. Observei-o como quem analisasse algo inédito e levemente curioso, quase distante. Não demorou a interpretar o silêncio e prosseguir com a cena ritualística. - Muitos mortos, conteúdo científico da espécie mais proibida possível, vinte e cinco cômodos para fins de cárcere em estado de degradação e humilhação, sem responsáveis e apenas um sobrevivente. Como? Miraram-me um par de olhos que tentavam me colocar sob uma profundidade analítica que estavam tão longe de conseguir quanto eu estava perto de me livrar desse incômodo todo. Zombei um pouco daquilo mentalmente e contei-lhe tudo de novo, melhorando a narrativa e acentuando partes mais importantes. Dessa vez fui retribuído com mais interesse que os anteriores, daqueles que vêm da curiosidade acima de qualquer constrangimento ou respeito ao que possa ser sentido com as perguntas.

Conversamos por tempo o suficiente para eu me perder e esquecer os incômodos internos e externos com o decorrer da conversa. Takeshi, assim se chamava o homem, aparentava ter quase tanta curiosidade quanto a que morava em mim, apesar de sermos distintos de incontáveis maneiras. Em tudo dissertado durante as perguntas feitas por ele encontrava-se também perguntas feitas por mim. Era importante recobrar as memórias sobre o ocorrido e o interrogatório no final apenas faria com que eu analisasse tudo de forma prática, objetiva e profunda. Por erro de logística ou julgamento incompetente, era evidente que como genin eu havia sido enviado à uma missão suicida. Não se tratava de um simples laboratório clandestino de fundo de vilarejo, experimentos caçados por boa porcentagem das grandes vilas, realizados por ninjas procurados por fatias ainda maiores dessas nações haviam acontecido ali, eu ter sobrevivido era resultado de uma certeza e uma possibilidade: a certeza de que ainda havia ninjas competentes no sistema de organização de missões da Folha, os quais notaram o erro e enviaram reforços de “imediato” tornando a colocar os fugitivos em fuga, e a possibilidade de o genin fraco demais para estar ali, enviado por engano ao meio da destruição ser o responsável por ela e pelas mortes restantes no local.

Conseguimos recuperar algumas lembranças que traziam a confirmação da minha responsabilidade por uma parte das mortes, explicando os ferimentos e hematomas espalhados na pele. Ignorei toda a fome, sono e vontade da familiaridade e conforto da minha cama tão distante e aprofundei-me por horas na conversa até terminarmos com algumas surpresas e desconfianças. - Bom, é evidente que não podemos simplesmente deixá-lo com essa marca. O fato de você conseguir suprimi-la até certo ponto é muito favorável a você, de forma que apenas precisaremos supervisioná-lo durante um tempo, sugiro que em missões. Eu não posso te dar números específicos porque vai depender da sua adaptação ao selo. No mínimo providenciarei alguém qualificado para ensinar-lhe o possível a respeito da sua... marca amaldiçoada, não há motivos para negação. Levantou-se de súbito da cadeira confortavelmente grande e acolchoada, rodeou a mesa igualmente luxuosa e cumprimentou-me com a mão estendida. Retribui e me diverti de uma forma que eu não imaginava desejar tanto, observando a expressão nítida de dó e compreensão escondida atrás de uma careta. - Não se preocupe, sr. É só mais uma coisa pra lidar. Deixei-o com uma leve mesura de adeus e finalmente levei meu corpo cansado, surrado e pesado pra casa.

Eu poderia ter feito várias perguntas sobre como me contatariam, se estaria livre para seguir minha rotina normalmente, se deveria fazer relatórios específicos e uma galáxia inteira de perguntas mais, mas o custo de todas elas seria muito alto. Também imaginei que a julgar pela cara de preocupação de Takeshi, muito provavelmente eu seria encontrado por eles se assim desejassem. Tirei as duas semanas seguintes para recuperar meu corpo completamente, sem uma visita por todo esse tempo. Porém, o que “deixaram” de observar nesses catorze dias (provavelmente estive sendo vigiado diariamente) fora compensado durante as missões.

Para início dos relatos desagradáveis e compreensíveis em uma parte bem ínfima das suas composições, devo começar mencionando que participei obrigatoriamente de um time composto por duas pessoas, eu e outro desgraçado. Não vou dar a ele a oportunidade de perpetuar através da minha história, sem gênero, sem aparência, sem nome e sem nada. Basta saber que por um longo período de vários meses sua presença invadia todas as privacidades e, às vezes, alguns direitos mínimos. Dez missões foram necessárias para convencer sua maldita desconfiança e incerteza a meu respeito. Deixei de realizá-las por um tempo, tanto por curiosidade a respeito do que ele faria, quanto pelo tamanho do meu saco cheio. Quando voltei ele havia intensificado três vezes mais suas inconveniências, mas por duas missões restantes apenas. Chego a suspeitar que em alguns momentos ele manipulava cenários para forçar as situações contra minha marca, medindo até onde eu a reprimia.  

Quanto a maldição, havia aprendido a lidar com ela de certa forma. Era irrefreável quando as coisas ficavam feias pro meu lado, conhecimento esse que fico feliz em dizer que fora adquirido sem a presença da minha dupla maldita. Sua força de vontade e controle sobre cada partícula de energia do meu ser era devastadora quando as emoções saíam do controle ou o corpo apanhava demais. Apesar de toda escuridão quando transformado, parte de mim ainda se agarrava a uma tocha com potencial para incendiar, mas sua voz ainda era fraca e distante. Contentei-me em reprimi-la da forma que podia, até um evento recente. Talvez eu esteja me adaptando ao peso de tê-la e me incomodando com o fato de não a controlar. Sabia tudo sobre sua existência e funcionamento, era hora de retomar meu ser.  

HP [350/350] | CH [325/325] | ST [5/5]

Considerações:

Aparência: Clique
Objetivo: 10 missões rank C como recompensa do evento.

Caso deseje um pouco mais de contextualização a respeito da marca, da situação relacionada a lembrança e outras coisas implícitas no post, sinta-se à vontade para ler minha quest de obtenção do Juin clicando aqui.
Equipamentos:

+20 Kibaku Fuda
+5 Kunai
+5 Shuriken
+25m Fio
-
Convidado
Convidado
Anonymous
Vilarejo Atual

Re: [FILLER/ALVORADA] céu nublado - em Qua 29 Jan 2020, 14:41

Aprovo.
-


Layout com edições de Halloween feito por @Akeido Themes e Senko.