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Naruto RPGAkatsukiNão é o único, simplesmente o melhor!
Arco 11:
Reino de Lilith: PesadeloAno: 71DG
Após uma dura jornada, Shaka finalmente caiu e teve a maldição retirada de seu coração. No entanto, os problemas trazidos pela família Hattori não se extinguiram. Shion revelou ter ajudado a libertar Lilith, uma monarca da dimensão infernal, que agora está possuindo o corpo de Hyuga Katsura e libertando uma horda de seres infernais contra este mundo. O mundo corre risco de ser consumido pela maldade dessa criatura, mas não se o plano de Shion der certo: forçar Lilith a causar um evento chamado de O Grande Eclipse, onde as portas de todos os mundos e dimensões ficarão abertas, e assim permitir a ele ir ao submundo resgatar sua amada Katsura Grey para finalmente selar Lilith.
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Estação: Inverno

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[Filler] Lonely hunter. - 4/2/2019, 18:39

1. Caçador Solitário.
2. O que o acordou no meio da noite?
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Última edição por Flare em 17/2/2019, 12:29, editado 1 vez(es)
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Re: [Filler] Lonely hunter. - 4/2/2019, 19:29

1. Caçador solitário.

Foi uma surpresa agradável ter conseguido escapulir durante a noite cálida de outono, evadindo a vila sem ser parado numa ronda ou pelos vigias da muralha. Por um longo tempo não sentia a liberdade correr por suas veias e balançar seu cabelo ao toque. O simples ato de estar do lado de fora era reconfortante, um escape de sua rotina de responsabilidades constantes — embora sempre estivesse buscando maneiras de evita-la. Tomar essa decisão, que a princípio surgiu impulsivamente, não foi fácil. Pensou e pensou a respeito do que faria se fosse pego já do lado de fora, ainda nas redondezas do portão, portando a bandana amarrada por trás da cabeça. Seria igualmente perigoso ser pego sem bandana alguma, rondando a vila naquele horário. A perspectiva agradável era, se fosse pego, ser ainda dentro da vila, onde poderia desconversar sobre estar apenas dando uma volta nas ruas vazias, sentir a lua refletir seus feixes sobre a pele. Cogitou até mesmo utilizar de sua patente para esbravejar com algum Chunin que o parasse — sempre eram eles os incumbidos com essa ronda inconveniente da madrugada —, algo que, como constatou depois, não era de se orgulhar. Por sorte, não precisou por em prática nenhuma das hipóteses que repassou interminavelmente em sua mente. Caminhou, as vestes balançando, espada na cintura e de punhos e pescoço adornados, atravessando o arco dos portões e entrando no território circundante ao da Folha.

Podia escutar o farfalhar, ao mesmo tempo próximo mas também muito distante, de galhos e folhas que se debatiam violentamente contra o vento agitado da madrugada. Jurou ter ouvido, inúmeras vezes, movimento atrás de si; só para depois constatar serem cervos agindo fora de horário. A capa branca, presa pelos ombros, dançava também ao ritmo do vento em suas costas, como se possuísse vida própria. Não tardou para que sua caminhada resultasse na visão de uma largo campo aberto, que se estendia até onde a visão alcançava. Não fosse pela relva e ele teria tudo aquilo só para ele; lembrou-se do deserto vendo a cena, um deserto de relva e vento, sem tempestades de areia e oásis que só surgiam depois de horas a fio recebendo sol na cabeça. A beleza do lugar não escapava, que se presa em cada pequena coisa habitando a paisagem; uma flor aqui, um roedor ali, um galho partido, um animal dormindo, a esfera esbranquiçada contra o céu absolutamente negro. Em muda contemplação, permitiu-se lançar ao solo e se sentar sobre o gramado raso. A sensação que isso trazia era boa, simplesmente boa, não conseguia descrever de outra maneira. Lançou então as costas contra o chão, deitando e observando a imensidão escura acima dele. Talvez seja por isso que sair da vila é um crime, não querem que vejamos como é belo o lado de fora, pensou. A memória do deserto, remanescendo, trouxe uma lágrima solitária ao seu rosto. Ela desceu por sua bochecha até o queixo e depois caiu sobre o pescoço, deslizando lateralmente até regar o solo. Era um fato que escondia até de si mesmo, ou ao menos tentava: toda vez que fechava os olhos evocava a imagem de Sunagakure engolindo a si mesma, as ruínas despencando em direção a um centro criado na própria destruição. A imagem é exatamente como a viu com seus olhos, tempos atrás, distante. Por mais que tente se aproximar, caminhando o caminho reverso até a vila desabando, não consegue. A cena se mantem distante, dois, três quilômetros talvez. Mas nunca menos que isso. Nunca ao alcance das mãos.

Tragou o ar transformado em soturno por seus pensamentos, encheu os pulmões e depois liberou tudo. O oxigênio era como sua inquietude em relação ao passado: estava lá mas ele não podia vê-lo. Os ombros pareciam encontrar alguma calma, finalmente expulsando a tensão e baixando bruscamente ao nível natural. Permitiu-se fechar os olhos, permitiu-se descansar há quilômetros de distância de suas responsabilidades, longe do passado e do presente. O sono veio e o varreu para longe.

Despertou com o que deveria ser a luz do meio dia, morna e viva contra seu rosto, luz capaz de atravessar as pálpebras. Os feixes se acumulavam, fóton por fóton, sobre ele; embora não soubesse a ciência por trás daquilo, sabia que a qualquer que fosse o nível inferior ao de feixes de luz era o nível onde a luz se agrupava e se materializava da maneira que ele conhecia. Quando até mesmo a natureza tratava de se agrupar como um ser humano podia conviver com a solidão por tanto tempo? Como caminhar por sua própria linha do tempo sem ter alguém ao lado, amigo ou amante? Shizuke era um recluso em si mesmo, mas não por escolha; perdera que tudo que um dia tivera, perdera seu lar, seus familiares, fora deixado com nada para seguir em frente. Até mesmo seus criados haviam seguido em frente. Foi deixado para trás com sua sofreguidão de chegar num lugar qualquer onde ao menos pudesse manter viva sua vontade de seguir em frente.

As dores nas costas e nas pernas, provavelmente provindas de circulação, o obrigaram a se levantar. O corpo não o permitia mais ser engolido por tais pensamentos de angustia e arrependimentos; o passado é e sempre será imutável. Sunagakure caiu e não voltará a se erguer, não tão cedo. A vida na Folha é tudo que resta, suas responsabilidades como Jonin, o jardim que tem no quintal, seu trato de sangue com sapos gigantes de um monte cujo nome não lembrava. O presente é sua prisão, uma mais agradável que o passado, sem dúvidas, mas ainda sim igualmente inescapável. Pôs-se sentado sobre a relva, esfregando os olhos com o dorso da mão. Checou todos os pertences que trazia ao corpo, nada fora roubado durante a noite. Ficou de pé e tornou a caminhar. Atravessar os portões vindo de fora não era problema algum, apenas a saída podia ser problemática. Destacou um cigarro do maço, guardando este no bolso da calça. Acendeu o cigarro e tentou não ser acometido pela enxurrada de estímulos sensoriais que eram atirados pelas árvores, pelos pássaros, pelo calor sutil. Queria percorrer a volta absorto de tudo, queria estar no presente. Ao menos uma vez o queria.

1032 palavras.
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Ichigo
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Re: [Filler] Lonely hunter. - 6/2/2019, 19:09

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"Eles são capazes de trapacear, roubar, bater na esposa, deixar morrer de fome a velha vovozinha ou matar a machadadas uma raposa pega numa armadilha. Por isso aos homens agrada inventar monstros e monstruosidades: sentem-se menos monstruosos.”
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Re: [Filler] Lonely hunter. - 17/2/2019, 12:29

2. O que o acordou no meio da noite?

O que o acordou no meio da noite?
Acho que foi uma memória reprimida tentando forçar sua saída da gaveta. De todo modo, o deixou suado e confuso. Assim que abriu os olhos teve a sensação de que os mesmos já estavam abertos há muito e que somente retirara uma película de sua visão. Poderia muito bem, também, estar sem película alguma antes e adicionado uma agora, pois parecia que a própria areia que dominava enrodilhava seus olhos, pesando as pálpebras sobre as pupilas. Levou algum tempo para que se situasse de volta à realidade, mesmo tempo foi necessário para sua mente parasse de divagar e conjecturar e sua cabeça parasse de doer. Ainda assim, parecia haver um buraco em algum lugar dentro de si. Um buraco negro que captura tudo em seu horizonte de eventos e o deixava cada vez mais vazio, até o momento em que se tornaria o próprio vácuo. Se meditasse e apagasse tudo de sua mente seria logo tomado de assalto por aquela sensação, engolido e transportado de volta para um lugar sem vida. O bege das dunas se fundiria ao fulgor ofuscante do astro acima, como se ascendesse em camadas até se tornar luminoso.

Um comerciante e sua trupe avançavam com muito custo pelo contorno das dunas, os calçados se afundando na areia somente para serem puxados violentamente para cima e atirados para frente, num ciclo infinito que comandava as passadas. Vez ou outra Hassan podia jurar ter visto algo que se movia por baixo da areia, como se fosse um predador rodeando o grupo na espera no momento em que daria um bote certeiro e os levaria às profundezas da terra, fazendo-os de alimento. Esse perigo que parecia estar sempre à espreita fazia com que a comitiva tomasse rumos que não tomariam normalmente, os levando a percorrem as costas das dunas de maneira displicente, tomando caminhos mais curtos apenas para que chegassem o mais rápido possível à via comercial de Sunagakure. O suor seco na testa dava considerável rigidez a pele, mas nada com que um grupo frequente nas andanças pelo deserto não estava acostumado. As vestes de linho tratavam bem de não sufoca-los no calor do deserto, igual eficácia tinham na tarefa de não se encharcarem com o suor que pingava aos montes. O linho simplesmente era atravessado pela transpiração e ela acabava por regar a areia fervente. Logo atrás da comitiva camelos avançavam ao seu ritmo, serenos, um passo após o outro, as costas cheias de caixas e sacos amarrados.

Do outro lado do deserto, próximo a fronteira do País do Vento, um jovem também caminhava por dunas, afundando seus pés na areia a cada passo. Era um filho da Areia, um dos poucos, senão o único restante. Não estava a procura de rotas comerciais ou da vila em ruínas, apenas caminhava. Em seu âmago era como se uma versão retraída de si mesmo existisse, um Shizuke que ainda não conseguia aceitar o fato de uma muralha como Sunagakure caíra por terra num piscar de olhos, engolida por si mesmo e para sempre perdida no cemitério de areia. Para para pensar, os destroços, as construções, tudo havia sido engolido por um solo, da mesma maneira que um buraco negro captura suas presas em direção ao ponto onde nem mesmo a luz alcança. Os povos do deserto observaram as estrelas por muito, ao ponto de quase todo exemplo e referência ser uma alusão ao espaço e as estrelas. Para o jovem nobre não era diferente, mas tinha uma sensação que ninguém mais tinha — em grande parte por não haver ninguém mais ali, salvo por algumas almas desafortunadas e desavisadas, que em suas longas viagens não tinham ainda ficado sabendo da queda da Areia. Como espíritos que buscavam o corpo físico sem saber que estavam mortos. Com o sol disparando seus feixes sem qualquer piedade sobre a cabeça do agora ninja da Folha, ele se lembrou de algo: se lembrou do quão era infeliz em Sunagakure, de todas as vezes que ficava sozinho, sendo cuidado por pessoas que não eram seus pais. Tudo porque naquela vila sua família tinha considerável importância e influência. Desejava que tudo aquilo sumisse as vezes e, por esse lado, a queda da grande vila não foi de todo mal. Aqueles males estavam expulsos para sempre de sua vida, tão fundos em seus túmulos de areia que sequer eram capazes de subir à superfície para assombra-lo.

Um par de dedos cavou seu caminho até encontrar enfim a luz do dia sobre a estável duna, então todo o resto do corpo foi revelado, ali mesmo, diante de Shizuke. Nesse exato momento um vento violento varreu seus cabelos para trás, fazendo com que se debatessem contra a testa e as têmporas. O que surgiu a sua frente deveria ter um rosto e feições facilmente reconhecíveis, além de um tipo físico único e gravado em sua memória, mas não conseguia visualizar nada daquilo. Era como um corpo de areia, uniforme nas medidas e sem rosto. Deveria representar algo, sua sina, seu começo, seu fim; algo. Ficou rendido aturdido com a súbita aparição, incapaz de atacar e de fugir. Enquanto seu cérebro trabalhava numa solução permanente para o problema outra figura emergiu da areia. Agora haviam dois contrastes: uma areia da mesma cor que a dor deserto e outra, negra como a hora mais escura da noite. Curiosamente, nenhum dos tipos era o seu dourado característico. O corpo de cor bege se movia de maneira lenta e metódica, como a própria morte, lançando seus dedos magros até o pescoço do filho da Areia. Prestes a entrelaçar seu pescoço, a mão negra veio com ligeiro ímpeto, agarrando o pulso com uma força que quebraria qualquer pessoa, menos aquela. Ambos os corpos sem rosto e sem nome se moviam de maneira semelhante, a finalidade das ações era a mesma. Apenas as cores e a vivacidade imposta nos movimentos se diferia, pois o corpo negro era veloz e cheio de energia, como a vida, enquanto o outro era a própria morte. O conflito se arrastava sem nenhum resultado aparente, um embate que parecia acontecer somente por que deveria acontecer e por nenhum motivo senão esse. Shizuke, não mais aturdido, não conseguia ainda se mover, algo o impedia de interceder naquele duelo: era como se fosse coisa complemente natural e interromper seria um crime, do mesmo modo que um humano não deve interferir quando um leão busca pelo veado.

Outro vento veio e varreu seus cabelos, varrendo também ele daquele sonho estranho. Acordou suado e confuso. Assim que abriu os olhos teve a sensação de que os mesmos já estavam abertos há muito e que somente retirara uma película de sua visão. Poderia muito bem, também, estar sem película alguma antes e adicionado uma agora, pois parecia que a própria areia que dominava enrodilhava seus olhos, pesando as pálpebras sobre as pupilas. Levou algum tempo para que se situasse de volta à realidade, mesmo tempo foi necessário para sua mente parasse de divagar e conjecturar e sua cabeça parasse de doer. Ainda assim, parecia haver um buraco em algum lugar dentro de si. Um buraco negro que captura tudo em seu horizonte de eventos e o deixava cada vez mais vazio, até o momento em que se tornaria o próprio vácuo. Se meditasse e apagasse tudo de sua mente seria logo tomado de assalto por aquela sensação, engolido e transportado de volta para um lugar sem vida. O bege das dunas se fundiria ao fulgor ofuscante do astro acima, como se ascendesse em camadas até se tornar luminoso.

1261 palavras.
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Re: [Filler] Lonely hunter. - 17/2/2019, 13:33

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Só não entendi o porque tu repetiu o primeiro trecho no final, mas deu 1000 palavras antes disso anyway
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Re: [Filler] Lonely hunter. -

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Edição de Aniversario por Shion e Senko.