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Naruto RPGAkatsukiNão é o único, simplesmente o melhor!
Arco 11:
Reino de Lilith: PesadeloAno: 71DG
Após uma dura jornada, Shaka finalmente caiu e teve a maldição retirada de seu coração. No entanto, os problemas trazidos pela família Hattori não se extinguiram. Shion revelou ter ajudado a libertar Lilith, uma monarca da dimensão infernal, que agora está possuindo o corpo de Hyuga Katsura e libertando uma horda de seres infernais contra este mundo. O mundo corre risco de ser consumido pela maldade dessa criatura, mas não se o plano de Shion der certo: forçar Lilith a causar um evento chamado de O Grande Eclipse, onde as portas de todos os mundos e dimensões ficarão abertas, e assim permitir a ele ir ao submundo resgatar sua amada Katsura Grey para finalmente selar Lilith.
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Ícone : [Filler] A companhia da lua;  Shin2

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[Filler] A companhia da lua; - 4/1/2020, 22:16

...


         Ainda me recordava das pessoas vestindo negro. Me lembro do luto, me lembro das lágrimas que se misturavam com as gotas de chuva que caíam do céu. Estava tão cinza que a vermelhidão de pedras de Iwagakure conseguia ficar ainda mais sem graça. Ninguém sorria, ninguém se olhava, ninguém conversava. Estávamos todos reunidos ao lado do caixão rodeado de flores, enfeitado como se minha mãe se importasse com esse tipo de merda. Ela não queria flores, ela queria estar ali, viva, ao meu lado. Era doído demais. Foi nesse dia que eu percebi que talvez a vida não fosse sobre o que nós queríamos que fosse, mas sim um amontoado de "eu consegui sobreviver", e assim você vai levando até que não consegue mais. Todo esse sistema, todos esses fios emaranhados que montavam uma política suja. Toda essa tristeza.

Ao meu lado, minha avó apoiava sua mão em meus ombros e desmanchava em choro, cobrindo seu rosto com um pano preto, enquanto um lenço de cor igual esporadicamente era levado ao nariz para assoá-lo. Sentiria falta da filha mais do que sentiu de suas pernas. A guerra havia levado coisas demais dela. Entretanto, essas não eram minhas memórias mais marcantes: Lembro bem de ver o pai da minha mãe a olhar para o nada, como se estivesse esperando apenas que toda aquela cerimônia chata acabasse para que ele pudesse voltar a fazer o seja lá o que estivesse fazendo. Tédio? Talvez aquilo havia sido demais para a vovó - Como pode? Seu filho da puta! Ela era a sua filha também, e você não consegue nem mesmo demonstrar um pingo de carinho ou luto por sua memória. - Eu ouvi vovó dizer para quem, até então, eu chamava de avô.

Sr. Huei era um homem duro, tão inflexível quanto as pedras do local onde havia crescido. Em Iwagakure, destacou-se como shinobi, sempre frio e calculista, conhecido por não deixar reféns por onde passava. Ele e minha avó se conheceram em alguma missão bem sucedida e na comemoração acabaram ganhando também minha mãe de brinde. Dizem que ele costumava ser um cara feliz, mas em todos os meus anos de vida, desde antes dele nos deixar para trás, eu nunca havia visto-o sorrir nenhuma vez sequer. Em determinava missão, vovó perdeu as pernas e precisou se aposentar. Mamãe ainda era uma criança, mas ela não estava mais entre nós nesse fatídico dia.

Lembro-me das palavras do meu avô após ouvir sua esposa: - Você precisa lidar melhor com a morte, Shougata. Ela é nossa amiga. - E um sorriso de deboche. - Que Jashin esteja com ela... - Porra nenhuma. Que de todos os lugares onde minha mãe poderia estar, que não seja ao lado de um deus maligno e caótico. Ela era o cheiro das flores desabrochando na primavera, e até hoje o cheiro do seu travesseiro não sai da minha memória. Sentia tantas saudades que doía o peito profundamente só de trazer a tona lembranças tão dolorosas...

Foi nesse ponto em que eu me lembrei de onde estava. Havia passado tanto tempo perdido, absorto em meus devaneios, que mal percebi quanto tempo eu havia passado imóvel sobre a água, treinando o fluxo de chakra embaixo dos meus pés para manter-me flutuando. Não era bem um treinamento, mas sim uma forma de ficar sozinho, longe de todo barulho e confusão do vilarejo. Sobre a água, longe em um local sem trânsito de barcos e no escuro da noite, nenhum som além do vento frio passava por mim, e eu sabia que ninguém no mundo sentiria aquela sensação de calmaria e acharia ruim. Livre da minha meditação, dei por mim com a lua muito alta no céu. Precisava voltar pra casa.

Casa? Senti-me exausto de repente. Claro, sempre amarei minha avó com todas as forças do universo cabíveis dentro de mim, mas não é difícil imaginar como me sinto quando tenho tantos sonhos a correr atrás e fui deixado cuidando de uma senhora. Logo eu, que nem responsável fui. Ter que aprender a se virar tão cedo faz de você uma pessoa melhor. Um homem forte, mas as vezes tudo que queria era a tranquilidade de um lar acolhedor onde tudo que precisaria era focar em minhas missões, meu desenvolvimento pessoal e ninja. Lembrar disso fazia-me sentir ainda mais raiva de Huei. A vovó era a sua esposa, e ela precisava dele. Tanto que a tristeza por vê-lo sair pela porta ainda assolava a bondosa senhora até os dias de hoje, fazendo-a passar as tardes olhando pela janela esperando que ele voltasse.

Olhei a adaga dourada em minhas mãos, a adaga que outrora seria usada em um ritual de Jashin para sacrificar uma garota bonita de cabelos azulados. Por sorte, cheguei há tempo e consegui retirá-la de lá, mas feita a minha escolha, acabei perdendo a minha melhor pista do velho sacerdote, sobrando apenas aquela adaga. O que faria com essas informações, afinal? Precisava me tornar mais forte para ter mais liberdade como ninja e finalmente poder ir atrás do meu avô, mas até lá, nada me restava além de procurar refúgio em algum lugar distante e silencioso.

Ser fraco deixava-me irritado. Ouvi por tantas vezes da boca de meu avô enquanto ele usava métodos nada ortodoxos para a minha criação de que eu era apenas um bastardo indigno que talvez eu tenha mesmo absorvido essas palavras que me atormentavam até hoje, mas não por muito tempo. Levantei-me e olhei mais uma vez a lua. - Obrigado pela companhia, mas eu já vou embora. - Referiu a palavra à sua grande amiga uma última vez, saindo de onde estava e voltando para terra firme. Não muito depois já havia passado o portão de Iwa, adentrando à vila e me direcionando a uma rua com vendinhas que ficavam abertas durante toda a noite servindo deliciosos salgados.

Em dado momento, achei ter visto um rosto conhecido. Paralizei-me ao pensar quem poderia ser. - É só uma alucinação. - Corri por entre as pessoas para reconhecer o corpo que havia virado em alguma das curvas. Ao alcançar o lugar, não havia ninguém. De uma coisa sabia: Se algum dia reencontrasse meu avô, não fazia ideia do que faria, mas quer saber a real? Eu adoraria matá-lo.  

...



HP: 550/550  |  CH: 1000/1000  |  Sta: 0/3


Considerações:


1.042 palavras segundo o app Q10
Aparência bem como o avatar;
200 pontos de Status (mês do Up)

Utilizados:





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Convidado
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Vilarejo Atual

Re: [Filler] A companhia da lua; - 6/1/2020, 11:40

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Edição de Aniversario por Shion e Senko.