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Naruto RPGAkatsukiNão é o único, mas simplesmente o melhor!
Arco 11:
Reino de Lilith: PesadeloAno: 70DG
Após uma dura jornada, Shaka finalmente caiu e teve a maldição retirada de seu coração. No entanto, os problemas trazidos pela família Hattori não se extinguiram. Shion revelou ter ajudado a libertar Lilith, uma monarca da dimensão infernal, que agora está possuindo o corpo de Hyuga Katsura e libertando uma horda de seres infernais contra este mundo. O mundo corre risco de ser consumido pela maldade dessa criatura, mas não se o plano de Shion der certo: forçar Lilith a causar um evento chamado de O Grande Eclipse, onde as portas de todos os mundos e dimensões ficarão abertas, e assim permitir a ele ir ao submundo resgatar sua amada Katsura Grey para finalmente selar Lilith.
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Estação: Primavera

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Vilarejo Atual

[Filler] ─ 7 - em 24/10/2019, 17:12



Olhei para fora da janela imperturbadamente por um ou dois minutos. Pensamentos fluíam como uma torrente oceânica gelada em minha mente, correndo para todos os lados de uma maneira que me fazia acreditar que eles podiam escorregar para a realidade a qualquer momento. Antes que eles o fizessem, eu os daria esta saída. Finalmente removendo meus olhos da bonita noite estrelada, usei-os para localizar uma candeia cujo fogo baixo dançava para os lados de acordo com o vento. Utilizei ambas as minhas mãos para pegarem-na pelo seu suporte, para que iluminasse o meu caminho; cruzei o longo corredor e a cozinha, utilizando uma pequena porta num dos lados deste cômodo para descer as escadas. Descalço, sentia o concreto frio sob meus pés a cada um de meus passos suavemente iluminados. Fui precautório no fechar da porta, fazendo-o com delicadeza para que seu ranger costumeiro não acordasse minha mãe, a alguns cômodos de distância. Um leve, porém aliviado suspiro após a ação confirmava que eu me sentia mais confortável agora. Estava sozinho, porém, acompanhado. Continuei descendo as escadas, fazendo-o com cuidado já que não contava com o auxílio de minhas mãos, estas ocupadas equilibrando a vela que iluminava os degraus cuidadosamente adornados. Após os doze degraus, agora balouçava minha única fonte de luz para uma direção e depois para outra, quase que tateando os candeeiros rudimentares que decoravam o compartimento. A cada um deles que era aceso pela chama de minha vela, sentia-me mais confortável, como se a luz que agora permeava o ambiente fosse uma energia protetora. Acendi oito ao todo, e quando me virei, deixei escapar outro suspiro de satisfação ao ter certeza, por ter confirmado com meus olhos, de onde estava. Todos os meus sentimentos, talvez grandes demais para serem compartilhados, estavam ali, junto de minha solidão e junto de minhas aflições. Éramos amigos de longa data.

Andejei entre as fileiras suspensas de pedaços de madeira, aço e plástico. Do meu lado direito, voltados contra algumas prateleiras, encontrava-se a parte bruta de meu trabalho; a matéria prima por vez utilizada em meus trabalhos. Eram pedaços grossos e tratados dos mais variados materiais. A visão deles não era tão agradável, portanto eu os mantinha no canto mais afastado. Ao meu lado esquerdo, a primeira fileira que se pode ver quando desce as escadas, encontravam-se alguns de meus protótipos. Centenas de trabalhos ainda não finalizados ou suspensos por diversos motivos – meu desejo de terminá-los utilizando um material mais caro, o aguardo por uma encomenda específica de um ferreiro ou meu inteligível desinteresse temporário por determinado trabalho. Não me importava em deixá-los à mostra, contudo, já que eu sentia que eles representavam minha arte tanto quanto minhas obras concluídas e funcionais. Cruzando todo o cômodo novamente, em direção á mesa de trabalho situada em baixo das escadas, de costas para a parede, permiti que meus olhos se deleitassem agora com os equipamentos diversos que continha, separados ordenadamente em várias prateleiras; uma para recipientes de venenos, outros para ingredientes, outros com lâminas e assim por diante. Aproveitei o momento para realizar uma breve contagem mental de todos os itens em minha disposição, refletindo também sobre o que deveria encomendar em seguida. Por fim, dei a volta na mesa de trabalho pelo único caminho acessível, recostando-me numa cadeira de madeira enquanto permitia que minha mente agora desordenada vagasse para um lado e para o outro. Não me importava de fazê-lo em situações assim, considerando isto parte do processo criativo, de uma forma ou de outra. Logo em seguida, estiquei meu braço para um criado-mudo ao meu lado, retirando de sua primeira gaveta um pergaminho, rudimentar e não tão bem cuidado quanto eu gostaria. Abri-o na grande mesa vazia, analisando com cuidado o projeto e conferindo novamente a precisão da matemática aplicada neste trabalho. Levei alguns minutos, mas me certifiquei de que estava correto; “antes demorar em concluir um projeto bem feito do que acelerar um projeto medíocre”, pensei comigo mesmo.

Passados alguns minutos, todos os elementos requisitados para o meu projeto encontravam-se organizadamente dispostos na mesa ou ao redor dela. Utilizando um suporte no pequeno teto que compunha a parte inferior das escadarias, puxei um dispositivo que permitia que o protótipo ficasse de pé enquanto eu trabalhava nele; fiquei feliz ao me dar conta de que havia planejado-o com precisão. Apenas ninjas desprovidos de uma mente artística acreditariam que marionetes são meramente uma ferramenta de batalha, entenda bem. Marionetes são uma forma de expressão artística. Podem idealizar um sentimento, uma ideologia ou um propósito; por serem arte, podem representar qualquer coisa, esta que será absorvida por espectadores uma vez que as mãos do artesão tenham sido hábeis o suficiente para fazê-la em um alto nível estético. E era por isto que eu dava o tempo necessário para que minha arte ultrapassasse o céu hipotético da complexidade. Aos poucos, assistia como meu novo trabalho ganhava forma, representando com proficiência os sete demônios que eu visava representar. Utilizava o pergaminho para a matemática e a precisão e um livro que me inspirou para o embasamento e para a estética. Como um pintor que intercala seus olhos entre a tela e os seios de uma bela mulher nua para representá-la em seu quadro, constantemente consultava minhas duas fontes de matéria para me certificar de que a obra fosse ficar perfeita. Após horas de soldagem, acoplagem, desmontagem, montagem, calefação, revestimento, pintura e pelo menos outras trinta técnicas, senti que estava pronta.

O seu estômago era largo, mas também estava rompido e sangrava pela fratura exposta; este era o sinal identificador da gula. A sua área genital se encontrava perfurada visceralmente por um punhal; este era o sinal identificador da luxúria. Seus olhos estavam fechados e cansados; o pecado da preguiça. As suas vestes escassas estavam revestidas de espinhos sanguinolentos; o pecado da soberba. Suas próprias veias o sufocavam; ira. Seus braços estavam repletos de perfurações, moedas caíam dele independente do quanto tentasse segurá-las; avareza. Seu pescoço estava pregado, de tal forma que não podia mexê-lo para olhar para os lados; inveja. Asmodeus, Belzebu, Mamon, Belphegor, Azazel, Leviatã e Lúcifer. Todos eles suspensos num único corpo sem vida por arames, farpas e pregos. E eu era a única virtude ali presente.

HP [1.025/1.025] | CH [2.925/2.925] | ST [0/7]


Considerações:
Mil e trinta e três palavras para receber cem pontos de status.
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Convidado
Anonymous
Vilarejo Atual

Re: [Filler] ─ 7 - em 24/10/2019, 22:06

Ok.
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Edição de Natal por Loola e Senko.