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Naruto RPGAkatsukiNão é o único, mas simplesmente o melhor!
Arco 11:
Reino de Lilith: PesadeloAno: 70DG
Após uma dura jornada, Shaka finalmente caiu e teve a maldição retirada de seu coração. No entanto, os problemas trazidos pela família Hattori não se extinguiram. Shion revelou ter ajudado a libertar Lilith, uma monarca da dimensão infernal, que agora está possuindo o corpo de Hyuga Katsura e libertando uma horda de seres infernais contra este mundo. O mundo corre risco de ser consumido pela maldade dessa criatura, mas não se o plano de Shion der certo: forçar Lilith a causar um evento chamado de O Grande Eclipse, onde as portas de todos os mundos e dimensões ficarão abertas, e assim permitir a ele ir ao submundo resgatar sua amada Katsura Grey para finalmente selar Lilith.
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Vilarejo Atual

Passando o tempo [Filler] - em 30/9/2019, 23:57


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Vestimenta; Palavras: 1401; O.B.J.: +100 status + Perito Elemental [Katon](Prodígio)

Tudo era silencioso! Aquele buraco para o qual haviam me empurrado, a vida que vinha levando, os dias nulos de vento ou chuvas; menos minha mente. Dentro das mais distantes e inabitadas profundezas da minha mente se encontrava um espírito alimentando-se de ódio, de forma contínua ele batia nas paredes de sua cela, inconformado com o modo que as coisas vinham seguindo. Desde o dia em que o destino mostrou à mim o quão inútil é uma criança diante do derramamento de sangue e o quão fragilizado é o ego do ser humano, meus sentimentos evaporaram-se como água. Tornei-me deserto, ainda que habitado pelos quereres de Iwagakure e seu cartel de governamental, por enquanto aquele deserto tinha um oásis para que eu me abastecesse. A aquela casa era fundamentada totalmente em madeira e havia sido cedida à mim após certos inconvenientes no vilarejo quando ainda era mero estudante na academia, desde então passei a ser isolado dos demais e a receber o típico treinamento doutrinador que falha em forjas escudos e acerta em afiar lâminas. Apanhei o maço de cigarro sobre a mesa. Um estalar de dedos e uma brasa milimétrica entre meus dedos acendeu o dunhill preso aos meus lábios. 'Esse lugar é uma merda.' Eu não podia sair e aquilo eram ordens expressas. Haviam shinobis de campana para observarem meus comportamentos e se revesavam em turnos, aquilo durava vinte e quatro horas do dia. Meu corpo pendeu sobre si e rendeu-se ao colchão. A fumaça escapou em nuvem. Todos tinham medo de mim, e aquilo era o melhor sinal para alguém como eu. Provavelmente aquele temor não era oriundo do que eu representava no momento mas sim do que eu poderia vir a representar, e certamente estava em algum protocolo de segurança a minha morte caso uma vírgula de plano saísse do planejado. Suspirei. Mais um trago. A vida parecia brincar comigo mas não da forma como se brinca com um ioiô, não, ela nunca me deu a oportunidade de voltar para cima, aliás, estar vivo é uma merda justamente por isso. A vida parecia uma criança e eu aquela pá usada em castelos de areia, continuamente engolindo e sendo enterrado até a cabeça, e quando por fim vem o descanso, eu continuo sujo e esperando para ser enterrado novamente. Meus olhos fixos no teto observavam um desenho, um símbolo, idêntico à marca que eu carregava na parte anterior da mão. Não me recordo de muita coisa, mas certamente aquela cicatriz não é de nascença, porém, não teria como esquecer algo que certamente causaria tanta dor. Traguei. Aquela era uma das únicas coisas que me incomodava a raiz dos questionamentos. Afinal, como diriam alguns estoicos do País do Vento, a gênesis do pensamento livre é o momento; ora, já que vivo preso que pense livre então.

-Reken, Ishyro mandou você treinar sem ele hoje. Ri. A fumaça percorreu o espaço entre nós até chocar-se contra a máscara do anbu. -Já é a terceira vez na semana. Me sentei para por os tênis. -Se você não tivesse tentado queima-lo no treinamento de katon seria diferente. Agora se vira garoto. Ele virou as costas. -Foi um acidente. Um sorriso sarcástico em meu rosto. Seus passos rangiam o assoalho sob seus pés. -Com você nunca é um acidente. Então sumiu, sem mais nem menos. 'Foda-se, não preciso desse cuzão pra conseguir as minhas coisas.' Aquilo nem de longe causava sombra de aflição sobre meus ânimos, apenas me deixava pensativo sobre acelerar o processo dos meus planejamentos. Vesti um moletom largo e apanhei minha juliet rosa sobre a bancada. Posicionando a máscara hospitalar preta que cobria parcialmente minha face saí porta afora. O local era isolado em meio todo aquele clima árido e rochoso; no alto da encosta muitos metros distante pude ver uma sombra posicionar-se. Escarrei. 'Lixos'. Caminhei de forma lenta pelo chão de terra batida e de duros rochedos, aquecendo-me; os braços se cruzavam, o dorso se dobrava, a coluna se alongava. Até que por fim me encontrei em um campo de terra aberto, metros afrente da residência e longe de toda e qualquer vida; apenas o ar fluía livre ali.

Me sentei no chão. As pernas cruzadas em posição de lótus e as mãos em repouso sobre o joelho. O intuito ali não era a meditação mas sim a condensação de ar e a utilização de chakra para transforma-lo em chamas. Eu já dominava o elemento com certa facilidade ha algum tempo, mas meu foco era realmente o aprofundamento na técnica e já que o tempo livre me proporcionava o foco, utilizava desta maneira. Inspirava de forma intensa, e expirava de forma suave. Controlava o compasso pelo qual o ar corria em meu corpo, ainda sem molda-lo, apenas familiarizando-o ao meu organismo. Conforme os minutos passavam e o sol do meio dia corria para trás das nuvens pequenas labaredas se manifestavam através das minhas narinas. Os olhos fechados, concentrado enquanto suor escorria entre as lentes lilás refletindo o ultra violeta e meu rosto. A respiração se intensificou. Mais chakra passou a ser condensação. As chamas em minhas vias aéreas aumentaram de forma considerável ao ponto de cruzarem-se no ar com o rastro de fogo que agora saia cada vez que o oxigênio era emitido pelos meus lábios. Interrompi aquela ação de forma repentina. Me levantei calmo e posicionei toda a massa corporal em guarda ofensiva, mantendo os punhos cerrados frente ao corpo. Golpeando de forma contínua o ar, apesar de simples, através de socos desferidos horizontalmente -jab e direto- torrentes infernais saiam e se dissipavam metros a frente. O calor próximo à mim era sentido de forma prazerosa e intensa trazendo ânimo e versatilidade aos movimentos. Passei a desferir golpes com a palma da mão aberta voltada para frente, agora, sem manter a guarda mas visando a sincronicidade entre as rajadas desferidas; por vezes estendia as duas de forma violenta e então se formava uma grande onda de chamas que manchava a terra. Suor. Parei. Minha respiração era ofegante mas me impressionei com a maneira que as chamas estavam se manifestando de forma mais prolongada e viva, pareciam uma manifestação do ódio que engrenava meus movimentos. O corpo já exausto rendeu-se ao chão, enquanto a mente que nunca se acovardava mantinha-se ativa em seus pensamentos e devaneios.

O que enlouquece o ser humano certamente é o isolamento. Não que só isso baste, mas isso em conjunto com todos os demais mecanismos opressores utilizados para comprimir seu espírito é o que faz sua sensatez escapar pelo ralo. Pense bem, eu já havia sido exposto àquele massacre, ao estupro de minha mãe; colocaram a caçula no forno. Porra! Eramos uma família feliz, eu estava estudando filosofia, não precisava nem pretendia me tornar um ninja. Então fui resgatado por esses miseráveis. Eu era uma criança cheia de ódio, cheia de problemas, não conseguia dormir tão pouco me relacionar com as demais crianças, só conseguia machucar os outros depois de tudo aquilo pelo o que passei, e então decidiram que iriam tentar me domesticar como um animal. Minha respiração era ofegante e minha caixa torácica trabalhava sobre o solo sagrado de treinamento. Acendi um cigarro. Eu realmente matei aquela moça quando estava na academia. Ela me lembrava demais minha mãe,  atiçou memórias que eu não queria e utilizei do mecanismo mais fácil para aniquilar aquilo. Não, eu não senti remorso. Não, eu não me arrependo. E talvez por isso agora esteja aqui, deitado sob o sol, tendo guardas impedindo minha saída e controlando para que eu treine. A fumaça vagava o ar. O meu maior erro foi demonstrar meu potencial às pessoas erradas. Me levantei e limpei a poeira sobre a roupa preta. Os óculos eram táticos e continuavam ajustados ao meu rosto. Não havia mais o que fazer por enquanto. Normalmente o treino seguia até aquele horário e então me recolhia, fazia uma refeição que era trazida toda manhã pela equipe que cuidava dos arredores, tomava um longo banho e emergia por horas em literatura de toda e qualquer espécie -era o único material cedido à mim sempre que solicitado- até o sol se por para que voltasse a treinar. Não seria diferente. Me retirei com os mesmos passos calmos que me guiaram até ali, deixando para trás um rastro de fumaça como uma locomotiva. 'Já é tarde demais pra querer ser alguém normal, quem sabe ainda haja tempo para simplesmente ser alguém.'

CH: 200/200; HP: 200/200; ST: 0/2

Itens e afins:
Kunai: 20x
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Convidado
Convidado
Anonymous
Vilarejo Atual

Re: Passando o tempo [Filler] - em 1/10/2019, 15:16

Aprovado.
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Edição de Natal por Loola e Senko.