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Alvorecer
Arco 04
Ano 17 DG
Verão
A queda do pastor cobrou um preço altíssimo do mundo ninja: o golpe final trouxe ao mundo um tempo de dor e sofrimento; fome e pobreza retornaram às ruas, a violência triplicou, os antigos heróis caíram ou ficaram desacreditados. Mas, um pouco perto do amanhecer, a Hydra, que até então se mantivera em silêncio, mostrou-se das sombras, trazendo oportunidades de emprego e uma esperança para salvar o mundo dessa mais nova calamidade. Líderes ninja não tiveram escolha senão se arriscarem em tratados suspeitos para conseguir manter firmes seus lares e seus soldados. No entanto, os reais planos da Hydra ainda continuam sendo um grande mistério.
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Shion
Fundador do RPG Akatsuki, Shion é responsável por manter o bom funcionamento de todas as áreas do fórum há mais de 10 anos. Completamente apaixonado por RPG e escrever, hoje é o principal responsável pelo desenvolvimento de toda a trama desse universo baseado na arte de Kishimoto.
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Angell
Angell é jogadora de RPG narrativo desde 2011. Conheceu e se juntou à comunidade do Akatsuki em fevereiro de 2019, e se tornou parte da administração em outubro do mesmo ano. Hoje, é responsável por desenvolver, balancear, adequar e revisar as regras do sistema, equilibrando-as entre a série e o fórum, além de auxiliar na manutenção das demais áreas deste. Fora do Akatsuki, apaixonada por leitura e escrita, apesar de amante da música, é bacharela e licenciada em Letras.
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Oblivion é jogador do NRPGA desde 2019, mas é jogador de RPG a mais de dez anos. Começou como narrador em 2019, passando um período fora e voltando em 2020, onde subiu para Moderador, cargo que permaneceu por mais de um ano, ficando responsável principalmente pela Modificação de Inventários, até se tornar Administrador. Fora do RPG, gosta de futebol, escrever histórias e atualmente busca terminar sua faculdade de Contabilidade.
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treinamento de sorte - Publicado 9/9/2019, 13:11

O vento fazia a água do mar se agitar e bater contra o casco da embarcação, ao ponto que, depois de algum tempo, aquilo já lhe era um ruído branco. Constante, não só passava imperceptível como também era aconchegante, como a brisa que a trazia. A superfície da água refletia tons de esmeralda, trazendo o cheiro de sal para impregnar as vestes. Enquanto se mantinha no centro do convés, duas fileiras de remadores, uma a cada flanco do barco, afundavam seus remos na água, levantando espuma e um som rítmico. Som esse que se igualava ao de algum animal marinho que subia à superfície num salto e logo mergulhava outra vez. A embarcação, com sua majestosa aparência e reputação, era composta por três conjuntos de velas, dois mastros principais, uma sala para o comandante, logo abaixo do deque do timão, além de amplos espaços na superfície e dois andares subterrâneos onde se guardava a guarda transportada. Na frente, uma figura de proa no formato de uma ninfa, se precipitando na direção do mar. O comandante, capitão, era um homem já grisalho, embora os anos não lhe tivessem roubado o vigor, tampouco a ferocidade. O valor dos corsários crescia cada vez mais com as notícias que corriam, recentes, acerca da volta de Kirigakure. “Pouco me importa quem diabos está financiando, ou porque está financiando”, dizia ele quando perguntado sobre o assunto. Shizuke tentava permanecer impassível, pois seu papel ali era meramente auxiliar na operação — curiosamente, haviam dito que seria uma tarefa de proteção, mas ele sabia que não passava de uma peça a mais naquele arsenal de piratas, um ninja enviado pela Folha para demonstrar o apoio da vila em relação as recentes práticas daquele grupo nas águas do País da Água. “Quando a Névoa voltar, não haverá mais nada”, dizia para si mesmo, cabisbaixo. Outros também varriam os arredores daquela que outrora fora uma potência. Em suma, sua missão também dizia respeito a eliminar a concorrência e dada sua maestria no fogo não havia melhor homem para se colocar em luta contra cascos de madeira. “Só tome cuidado com o meu barco. Não me importo com o resto.” Em concordância, Shizuke assentiu, arrumando as espadas na bainha, prevendo o confronto iminente.

Além dos ombros não se podia mais enxergar o porto do País do Fogo, engolido pelo nível do mar. Aquela massa de água ocupava os mares quase como uma forma viva, com altura, largura, profundidade, movimentos próprios, dando vida e tirando vidas; a água, antagônica ao seu fogo, mais lhe parecia uma força da natureza, não mera parte dela. “O que você acha da água, capitão?”, perguntou polidamente. O homem, afagando a barba rala sobre o queixo, encarou-o por alguns instantes em silêncio, antes de responder. “Água é água, não preciso ter uma opinião sobre isto.” E se virou e voltou ao timão. “Mas, não acha nada mesmo? Ruim, boa? Se não houvessem mares, você nunca teria podido lutar com o cheiro de sal nas narinas, sentir o balanço do convés lutando contra o seu equilíbrio.” Ele riu. “Água é água. Você não entenderia. Um homem como eu não tem escolha, ninguém tem, para falar a verdade.” E voltou ao silêncio, com seus braços firmes envolvendo o círculo de madeira, contornando uma pedra proeminente que emergia no meio do trajeto. Algumas cabeças estiveram a observar a breve conversa, mas já estavam de volta ao trabalho braçal, puxando e empurrando os remos. À oeste, uma nuvem escura assomava sobre a água, turvando a paisagem além dela, sombreando a superfície esmeraldina. “Tempestade”, murmurou o espadachim e foi logo ter com o homem que supôs ser o navegador. Um contraste à rigidez do capitão, ele sorriu gentilmente. “A tempestade não entrará no nosso curso, tínhamos um planejamento — ainda temos. Preocupe-se com sua parte, Shizuke-dono.” O fim da frase cortou o ar como uma lâmina, substituída rapidamente a polidez por sua expressão incisiva. Shizuke se virou e foi se debruçar nas laterais do barco. Um homem no ninho assobiou. Com sua zarabatana presa às costas, ele tinha se feito silencioso e invisível até então. Tinha uma grande cicatriz que cortava a maçã do rosto de uma extremidade até a outra e seu olhar era duro como pedra, os olhos brancos leitosos, vazios como uma estátua. “O que significa o assobio?”, perguntou o Yoshimura, fitando um dos remadores que estava um palmo de distância, quase debaixo de seu pé na pequena depressão que existia para que os remos se encaixassem nas aberturas da lateral. Só então percebeu, quando recebeu de volta um olhar frio e silencioso, que os remadores eram escravos, todos marcados a ferro quente um pouco acima do ombro esquerdo. Subitamente, esqueceu toda a missão, toda a importância, toda a ênfase que fora colocada no pedido que requisitava ele especificamente. Deviam ter se importado em dar uma olhada no histórico de Shizuke, pois ele sempre tivera esse fraco pelos mais fracos. Disparou para ter com o capitão, a expressão transformada de tal forma que o homem o recebeu com um olhar de espanto, medo, uma expressão que parecia ser impossível de aparecer naquela face dura. “Esses homens. Você vai tirar as correntes deles”, disse, tentando soar e parecer imponente. O capitão rapidamente se esqueceu do medo e deu um sorriso, se virando para encarar o mar que ficava para trás. “Sem remadores o barco não se move. Quer ficar encalhado aqui?” A lógica fria o atingiu como uma pedra no crânio, mas sua determinação não acalmou. “Vamos nos adiantar então. Uma volta pelas ilhas menores e iremos voltar. Quando chegarmos ao porto, irei libertar todos.” Ele objetou: “Isso é dinheiro. Sem escravos não tem navegação. Seria mais fácil se tomasse meu barco.” As mãos de Shizuke tremiam. O controle da missão ainda pertencia à Konohagakure e não havia ali outro representante desta que não ele, mas ele optou por não trazer o fato à tona. “Que significa o assobio?” O capitão o respondeu: “Ninguém no raio de visão.” Assentindo, o espadachim saiu de perto e foi esperar na proa.

[...]

O barco todo tremeu quando seu casco encostou no deque para ancorar. Se pudesse vê-lo por fora, Shizuke encontraria diversas marcas no mesmo lugar, as marcas que eram feitas todas as vezes que aquela grande embarcação se encontrava com as placas de madeira do porto. Sem escada horizontal para conectar o barco ao deque de desembarque, todos saltavam. Ele fez o mesmo, mas não antes de dar com o cabo da espada em todas as correntes que prendiam os remadores. A grande maioria sequer falava uma língua que ele compreendesse, mas talvez a liberdade não fosse assim tão difícil de se compreender. O capitão desapareceu logo que desembarcou, sumindo na profusão de cabeças que tomavam o porto. Ele voltou pouco depois, acompanhando de um oficial da Folha. Shizuke soube o que o esperava muito antes de chegar. “Shizuke Yoshimura, não é? Pela ficha, Jounin Especial. Nem se fosse Hokage poderia interferir no assunto dos escravos. A escravidão nunca foi abolida formalmente, é uma questão… moral. Se o capitão os usa como mão de obra, não cabe a você”, mas daí em diante Shizuke não escutou mais nada, caminhando para longe. Era lhe um hábito ultimamente, fugir sempre que podia de tais situações. Lá fora, tudo continuaria igual. As ondas, já longes de costas, subiriam altas na ressaca, permaneceriam calmas em alto mar, calmas também perto da costa. As gaivotas espreitariam o tempo todo os cardumes que se aventurassem muito próximos da superfície. Alguns barcos teriam sucesso na trajetoria, outros acabariam por encontrar rochas que partiriam o casco e afundariam a embarcação. O comércio continuaria a todo vapor com os rumores da volta de vilas falecidas, assim como a pirataria, as rondas marítimas e tudo o mais. Assim sendo, sua atitude fora soprar o vento. Inútil. Precisava se deitar, precisava dormir e esquecer. E foi o que fez.

Spoiler:
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Re: treinamento de sorte - Publicado 9/9/2019, 15:55

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Nota: 2