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Alvorecer
Arco 04
Ano 17 DG
Verão
A queda do pastor cobrou um preço altíssimo do mundo ninja: o golpe final trouxe ao mundo um tempo de dor e sofrimento; fome e pobreza retornaram às ruas, a violência triplicou, os antigos heróis caíram ou ficaram desacreditados. Mas, um pouco perto do amanhecer, a Hydra, que até então se mantivera em silêncio, mostrou-se das sombras, trazendo oportunidades de emprego e uma esperança para salvar o mundo dessa mais nova calamidade. Líderes ninja não tiveram escolha senão se arriscarem em tratados suspeitos para conseguir manter firmes seus lares e seus soldados. No entanto, os reais planos da Hydra ainda continuam sendo um grande mistério.
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Shion
Fundador do RPG Akatsuki, Shion é responsável por manter o bom funcionamento de todas as áreas do fórum há mais de 10 anos. Completamente apaixonado por RPG e escrever, hoje é o principal responsável pelo desenvolvimento de toda a trama desse universo baseado na arte de Kishimoto.
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[FILLER] Os Ventos da Liberdade (por Jyuu Kaguya). - Publicado 18/8/2019, 20:15


Os Ventos da Liberdade (por Jyuu Kaguya).


Já se sentiram presos a um mundo que não lhes pertence? Que todas as peças são incrivelmente iguais e apenas uma, você, não se encaixa nesse grande conjunto igualitário. Não podemos e nunca iremos, escolher onde nascer, de quem nascer e muito menos predefinir nossas capacidades como pessoa, sejam elas mentais ou físicas. Contudo, cabe a nós seres humanos desenvolver o maior número de habilidades possíveis, ganhando a frente na disputa pela vida, ultrapassando aqueles que são mais lentos, com menos determinação e até doentes por conta de todo o estresse gerado nesse meio. Parecemos animais, não nos diferenciando do reino, não distantes da sobrevivência do mais forte, apenas mascarada com palavras bonitas. Como um orgulhoso membro da raça guerreira, meu sangue me obrigava a atuar como tal, evoluindo todas as características que me trariam sucesso, não podendo sequer ter o luxo de me deixar levar por momentos de prazer, amizade e felicidade, honrando o nome da minha mãe e abençoado pela lua em sua fase cheia. Como sabem, no começo a sensação de ter sobrevivido blindou minha mente de quaisquer obrigações, deixando sentimentos como gentileza enfraquecerem meu ser e atrasar todos os meios evolutivos que o ambiente me proporcionava, me fazendo negar as oportunidades de adquirir conhecimento e força através da violência desenfreada.

Mas e se não fossemos obrigados a evoluir? Se mesmo mantendo as coisas mais básicas da vida ninja pudéssemos ter grandes destaques, ou até mesmo viver vidas magnificas com tão pouco potencial? Está é a definição de liberdade para mim, onde todas as nações unidas em uma só protegeriam o mundo, como um só corpo e um só espirito, uma só vontade, seja do fogo ou não. Mas esse sonho é uma utopia, e a utopia não é venerada nos dias de hoje, sim meu amigo, estamos presos a um padrão. Olhe para seu lado, fulano está treinando para ficar mais forte, Ciclano está estudando para adquirir conhecimento de certa técnica para ficar mais forte, Beltrano está fazendo missões para ganhar reconhecimento e... também ficar mais forte. Três exemplos, três coisas completamente diferentes umas das outras mas com um único objetivo, já estabelecido no dia em que nasceram. Nunca me senti tão leve quanto hoje, quando delicadamente deslizo está pena pelo papel surrado, palavra por palavra preenchendo o vazio da folha e o vazio do espirito, cheio de verdades que a sociedade enfrenta para esconder de si mesmo, mantendo a utopia como um objetivo a ser alcançado. Veja ao seu redor, quem está nessa realidade feliz?

Cada passada daquela pena criava centímetros de uma asa em minhas costas, me tornando leve por estar escrevendo e tirando aquelas sensações de dentro do meu corpo, deixando marcado em uma simples folha toneladas de sensações, memorias e desejos que percorriam cada veia, cada fio de chakra em meu ser, destrancando os grilhões em minha perna, as algemas dos punhos e a corrente do pescoço como um prisioneiro de guerra. Feliz, enrolei todo o pergaminho, selando-o com uma fita de couro para que seu conteúdo ficasse protegido pelo tempo, levando-o comigo para fora do apartamento, atravessando os portões da Aldeia da Folha para iniciar uma jornada pessoal, onde deixaria aquele texto como um tesouro escondido, mas sem marcas e mapas, apenas para que a sorte levasse-o até um novo herdeiro. Atravessar os portões era sempre um grande desafio, envolvia a maturidade de resistir à tentação de desviar o caminho até minha antiga casa e vasculha-la em busca de informações, mesmo sabendo que não encontraria nada relevante além de escombros e de uma cabana de madeira dominada por trepadeiras, insetos e vermes que vivem entre as tabuas da antiga casa. Cada passo sentindo a grama fofa era libertador, viajando entre as paisagens que compunham toda a floresta de Konohagakure no Sato. Não consegui distinguir a distância que já havia tomado da Aldeia, seguinte rumo sem muito o que pensar, apenas procurando um lugar para ficar, me sentar e deixar o texto escrito seguro, de mim mesmo mas para que outros o encontrem. Encontrei uma área aberta dentro da floresta, um clarão com um pequeno lago onde alguns animais estavam bebendo água, permitiram a aproximação e então me deixei ir, sentando na grama sentindo a luz do sol aquecer meu rosto, me obrigando a prender meus longos fios de cabelo meu m rabo de cavalo para refrescar a nuca que lentamente escorria finas gotas de suor.

Com as pernas dobradas em lótus, respirei e senti o ar fresco invadir e encher os pulmões, refrescando, sentindo o aroma do gramado fresco fechando meus olhos buscando o pergaminho em minha bolsa, abrindo-o lentamente a minha frente para ler seu conteúdo uma última vez, abrindo um largo sorriso antes de fecha-lo. Coloquei de lado o pergaminho e com uma kunai, comecei a cavar um pequeno buraco na terra, espalhando lentamente as folhas da grama e deixando um montinho de terra ao meu lado. Pouco a pouco ele estava pronto para ser preenchido pelo pedaço de papel, cobrindo-o novamente com a terra e já me preparando para retornar, tranquilo comigo mesmo e com tudo o que havia passado. Talvez para pessoas comuns que o lessem, o pergaminho não teria sentido e muito menos significado algum, mas exclusivamente para mim aquilo possuía um valor inimaginável, carregando uma bagagem emocional gigantesca apesar de meras palavras sem sentido e que não levam a conclusão nenhuma. Quando o pergaminho foi enterrado, senti meu corpo flutuar, carregado por um par de asas negras que me levaram até os céus, atravessando as nuvens, atravessando dimensões, passando por diversas partes da minha vida e me relembrando de diversas coisas, mesmo que muitas dessas coisas não fossem exatamente reais, mesmo que muitas dessas coisas estivessem ali para suprir uma necessidade emocional que eu possuía, não estava ligando para aquilo, a liberdade era satisfatória. Quando percebi, aquilo não se passava de um sonho, diferente de todos os que já tive, mas impactante da mesma maneira. Me levantei da cama, curiosamente não havia pergaminho algum, estava apenas delirando, deixando uma parte daquele antigo Kaguya adormecido tomar conta durante o sono. Voltaria a programação normal de matanças e crueldades.


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Re: [FILLER] Os Ventos da Liberdade (por Jyuu Kaguya). - Publicado 18/8/2019, 20:56

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