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Naruto RPGAkatsukiNão é o único, simplesmente o melhor!
Arco 11:
Reino de Lilith: PesadeloAno: 71DG
Após uma dura jornada, Shaka finalmente caiu e teve a maldição retirada de seu coração. No entanto, os problemas trazidos pela família Hattori não se extinguiram. Shion revelou ter ajudado a libertar Lilith, uma monarca da dimensão infernal, que agora está possuindo o corpo de Hyuga Katsura e libertando uma horda de seres infernais contra este mundo. O mundo corre risco de ser consumido pela maldade dessa criatura, mas não se o plano de Shion der certo: forçar Lilith a causar um evento chamado de O Grande Eclipse, onde as portas de todos os mundos e dimensões ficarão abertas, e assim permitir a ele ir ao submundo resgatar sua amada Katsura Grey para finalmente selar Lilith.
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Estação: Inverno

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Vilarejo Atual

[Filler] Fogo-fátuo. - 22/7/2019, 14:23

O forte sol de meio dia pegou Shizuke desprevenido. Passara a noite em claro, sem pregar o olho e agora o cansaço chegava. Bebeu um gole de água e aquele líquido, descendo pela garganta, resfriou todo seu corpo. A luz que inunda o ambiente lhe traz uma sensação nauseante equivalente à ressaca, sua cabeça dói; dói não, parece fragmentar-se em vários pedaços, como se tivesse o crânio feito em pedacinhos. Cada movimento desloca esses pedacinhos, aumentando a dor. Ele repousa a cabeça sobre a palma das mãos, seus olhos são engolidos pela escuridão entre os braços e a mesa, a dor cessa momentaneamente. Apesar disso, aquele cheiro segue vivo nas narinas, como borracha queimada, embora não exatamente borracha queimada. Algo queimado, é tudo que sabe. Criando coragem para enfrentar a dor a seguir, levanta-se abrupto, sentindo-se tonto, a cabeça em círculos, corre até a janela e fecha as cortinas. O cômodo voltar a se afogar na escuridão, propício para uma sesta. Mas não há comida em seu estômago e o lembrete logo vem, através dos grunhidos de seu sistema digestório; o sono, tampouco, vem. Isso tudo é uma agonia mortal, pensa. Sabe que não se trata unicamente de insônia, é como… culpa? Enfim, o cansaço o abate. Ele repousa a cabeça na mesa e dorme um sono sem sonhos, demorado o suficiente para compensar a noite acordado.

De todos os livros na estante, nenhum fala sobre culpa. Percebe isso assim que desperta. Bebe mais água. Não há mais um corpo a ser resfriado, pois o vento que entrara através de pequenas frestas entre as franjas da cortina e por debaixo da porta tratara bem de transformar a cozinha numa câmara fria. Batendo os dentes, treme de frio. Dá outro gole na água e sente um calafrio percorrer sua espinha. Ergue-se e caminha pelo cômodo, apanha um casaco pendurado próximo a porta. Caminha de um lado ao outro, ergue o queixo vez ou outro, como se chegasse em alguma conclusão, mas logo depois segue sua andança pra lá e pra cá. Para diante da estante e observa os títulos dispostos, inclinando a cabeça lateralmente. Escolhe um livro ao acaso, o mais próximo de suas mãos. Lê uma página, duas, três, cinco. E para. Pega outro e obtém o mesmo resultado. As leituras não o prendem, não despertam a curiosidade; talvez seja porque já leu todos uma dezena de vezes. Talvez não. Na quinta tentativa, atira o livro no cesto de lixo, pouco importa-lhe sua importância naquela estante. Espreita o clima lá fora por uma fresta da janela, afastando a cortina, recolhe seus objetos e abre a porta. Dá de cara com um oficial de vila, um homem objetivo, conciso, e tudo em sua aparência parece denotar isso. O bilhete que ele entrega não contém o usual. É uma investigação, diz, e você é necessário. Assentindo, Shizuke o dispensa com um movimento de mão e ali mesmo, na soleira da porta, lê o conteúdo da mensagem. Durante a madrugada, incêndios criminosos. Quem melhor para cuidar do caso do que um mestre na manipulação do fogo? Bem, muita gente — a Polícia de Konohagakure, que tal? Mesmo assim, tratou de caminhar rumo ao centro da vila, coisa que não lhe tomaria muito tempo. Sua casa, simples, embora muito maior em comparação à anterior, se localizava cerca de um quilômetro e meio do centro.

A primeira vítima das chamas assomou sobre Shizuke, um cadáver enegrecido de vigas e telhas. A área, sem isolamento, em nada se distingue da paisagem urbana que segue seu ritmo ao redor, como se nada tivesse acontecido. Tragédia resumida a uma mancha de fuligem no pano branco e imaculado. As pessoas caminham pela calçada, saltam sobre algumas vigas caídas, evitam paredes inteiras que desabaram sobre parte de rua e é isso. Seguem seu rumo. Tudo segue seu rumo, todos seguem seu rumo.

O cheiro gravado em sua memória se mescla ao momento presente e aqui fica difícil saber se sua memória simplesmente se curvou ao que era palpável, ou se aquele cheiro de outrora realmente era o odor de carne queimada. Shizuke dá passos na direção da casa, mas a princípio caminha com pausas entre um avanço em outro, para e observa o solo circundante, checa a resistência das estruturas que ainda estão de pé, procura por uma grande mancha negra que irá se distinguir e lhe dizer onde se iniciou o incêndio. Dá algumas voltas pelo terreno, vai até os fundos e procura por corpos, mas à essa altura todos já devem ter sido retirados por quem quer que tenha chegado aqui antes e dado início aos processos burocráticos. Volta à frente, agora inexistente, da casa. Nada salta a visão, todas as pistas se escondem em plena vista, bem camufladas sob camadas e camadas de fuligem. Não há nada pra ver aqui, conclui. E se retira, de volta à atmosfera inebriante da rua.

Olha para as próprias mãos e vê que estão negras, como se as tivesse mergulhado diretamente na fumaça do incêndio. Isso não lhe faz sentido algum: tomara cuidado especial para não tocar em nada, absolutamente nada.

As ruas do centro estão apinhadas de gente. Diante das barracas de feira, civis e ninjas dividem a igualdade de compradores preocupados unicamente com os vegetais e frutas, além dos demais souvenires e tralhas, alguns se inclinam e perguntam os preços, embora estes estejam visíveis em placas grandes e de fundo branco, os números feitos a caneta preta contrastando, outros, mais decididos, sabem o que quer: vão diretamente a uma barraca e enchem a sacola, pagam e se vão. O sol vacila no céu acima, sabe que seu período mais quente já passou e agora, em seu zênite, pondera se deve continuar pairando ou descer e desaparecer no horizonte baixo. As brumas, ansiosas, aguardavam pela oportunidade de surgirem pela extremidade da Floresta da Morte e avançarem vila adentro; a brisa fria, menos paciente, varre os caminhos da entrada de Konohagakure, farfalhando vestes e sacudindo sacolas.

Shizuke observa tudo, todos, sente no rosto o vento gelado, a espada a vacilar na bainha, o tapa nas costas que outro vento, soprado este de cima das montanhas esculpidas com as faces de antigos líderes, lhe dá. Olha sua mão uma outra vez, lembra-se da noite que passou sem dormir. A consciência do ato vem acompanhada de uma ausência, calma, serenidade; uma completa ausência de tudo, inclusive de peso sobre os ombros.
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Re: [Filler] Fogo-fátuo. - 22/7/2019, 15:05

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Edição de Aniversario por Shion e Senko.