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Naruto RPGAkatsukiNão é o único, simplesmente o melhor!
Arco 11:
Reino de Lilith: PesadeloAno: 71DG
Após uma dura jornada, Shaka finalmente caiu e teve a maldição retirada de seu coração. No entanto, os problemas trazidos pela família Hattori não se extinguiram. Shion revelou ter ajudado a libertar Lilith, uma monarca da dimensão infernal, que agora está possuindo o corpo de Hyuga Katsura e libertando uma horda de seres infernais contra este mundo. O mundo corre risco de ser consumido pela maldade dessa criatura, mas não se o plano de Shion der certo: forçar Lilith a causar um evento chamado de O Grande Eclipse, onde as portas de todos os mundos e dimensões ficarão abertas, e assim permitir a ele ir ao submundo resgatar sua amada Katsura Grey para finalmente selar Lilith.
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epic of renmant - 11/5/2019, 18:07

O homem que denominava como "pai" nunca fora uma pessoa gentil no sentido literal da palavra. Tampouco era violento. Nunca sofri abusos — disso tenho certeza — ao mesmo tempo que nunca sofri apegos também; era uma relação complicada que não guardava espaço para frivolidades parentais, sua índole inabalável para com a diplomacia e militarismo lembrava um muro de rochas, resiliente como aço e que desconhecia uma maneira de ruir ao chão. Era também uma espada de dois gumes: ainda que fosse impossível despojar-lhe da vitória e conquista, seu perfeccionismo exacerbado nunca permitiu se aproximar da própria filha e formar laços significativos com esta. Sua única derrota. Que não o deixava abalado, assim como qualquer outra.

Seu nome era Shimasu, Yamanaka Shimasu. Estava próximo dos cinquenta anos dos quais metade foram em serviço militar por Konoha, um veterano de guerra com cabelos dourados que pendiam ao albino por conta da idade. O corpo não demonstrava a degeneração do tempo no entanto: sempre dizia que um shinobi precisava estar sempre em seu ápice para servir sua terra natal. Nas raras vezes que aparecia em casa nunca o via por mais que alguns minutos, ou partia para treinar ou dizia ter um compromisso importante com o alto escalão. Mas eu sabia que sua ausência era compreensível. Fazia (e ainda faz) parte da divisão de inteligência da vila da Folha desde que me conheço por gente, e por mais que variasse de cargo nunca o vi em uma patente abaixo das mais altas; era como se meu pai fosse um espião como os de filmes fictícios exagerados, nunca tinha tempo para família pois estava ocupado demais salvando o mundo e mudando de profissão toda a vez que o fazia. Claro que não era o caso. Era difícil chamá-lo de algo que não fosse arrogante, teimoso ou egoísta.

Passava a rotineira semana rodeada dos serventes da casa — uma mansão tradicional no meio da floresta, os traços orientais eram extraterrestres em comparação ao que se via na área residencial do vilarejo; sempre pensei ser algo provindo das tradições de clã, já que a área entrava na jurisdição da família Yamanaka. A mãe nunca esteve presente, faleceu cedo após o parto, o que me deixou essencialmente sozinha a vida inteira. Nunca liguei, porém. Sempre tivera paixões suficientes para me entreter e não cair no profundo desespero da solidão, ao ponto de passar a apreciá-la com afinco. Era inclusive um dos traços que meu pai sempre detestou; não possuía em sua cabeça espaço para aceitar uma filha que optasse por feitos artísticos como dança ou pintura à uma que partilhasse sua obsessão por militarismo. Lembro-me até das vezes que ameaçava prender-me no quarto caso eu ousasse falhar nos testes patéticos da academia ou que reprovasse por faltas — nunca foi de meu feitio estar presa nas salas demasiadas claustrofóbicas daquela escola, de modo que sempre atingia a cota máxima de ausências. Não obstante, gabaritava os testes e perpetuava o ciclo vicioso. Foi assim que descobri minha aversão à ser nomeada uma prodígio.

As falhas não me permitiam não nutrir ainda assim uma admiração por ele.

Quiçá fosse o laço paternal que existia literalmente por um fio e que buscava com tudo de mim mantê-lo vivo; era a única memória presente da mulher que dera-me a vida que tanto me agradava, e queria honrá-la apesar dos infortúnios, sua figura transparente em seus últimos momentos perdurava como um vínculo inabalável em minha mente. Era curioso como a recém nascida podia guardar os eventos tão longínquos de outrora até o presente. Ou, na pior das hipóteses, tal admiração nascia da inerente ganância que herdara dele. Nem tudo no mundo era pré-definido, não era obrigada a seguir sua filosofia temível de devorar tudo para si em prol de tão vazio sentimento quanto aprovação. Recordo-me até hoje de suas palavras, ainda que o contexto eu não tenha.

"Torne-se aquela no topo do mundo, Shigure."

Um episódio curioso nasceu por parte deste desejo, devo lembrar. Nos tempos de mocidade da infante Shigure, com seus plenos sete anos de idade. Foi a primeira vez que pude dominar de certo a possessão de corpos e, em extasiante otimismo parti para mostrá-la ao homem. Indaguei-me na época se finalmente me elogiaria, como sempre quis que fizesse. Mas não o fez. Desdenhou sem pudor. Sem ao menos fitar-me o olhar. Recordo a sensação desde então: uma das únicas vezes que senti legítima fúria por algo que foi feito contra mim. Revirou o estômago e incendiou as têmporas até me fazer tomar uma atitude drástica.

—— Vá pro inferno, velho cretino!

Brandindo a voz como a de um leão atirei com odioso sentimento, em contraste com antes, a mesma técnica que queria sua aprovação. Esforço inútil todavia, já que me expulsou tão rápido quanto o atingi; tamanha era sua resiliência mental. Foi como cair na cova de uma besta abominável e ser expulsa de lá no mesmo instante, não obstante ela permanecia diante de mim, ereta e com semblante assassino exposto como uma escultura. O que disse então está cravado em minhas lembranças como uma faca.

—— Como se atreve?! Sua vadia puta! —— explodiu como tormenta raivosa, e seu braço voou ao meu lado.

A dor afiada na bochecha esquerda me fez cair aos prantos ali mesmo enquanto sentia o inchaço crescer e minha pele arroxear. A primeira e última vez que vi a expressão de ódio crescente no rosto de meu pai. Nunca mais o desafiei de modo leviano, contudo, como uma criança traumatizada, nunca apaguei o ódio fulminante que corroía-me no dia em questão. Tratei de nunca mais usar os poderes sem antes pensar direito. Aflorou a paranoia de encontrar alguém tão brutal como ele da mesma maneira que crescia o desejo de achá-lo; uma contradição que para mim servia como prova de que iria um dia superá-lo. Se já me interessava em quem passasse por minha frente, desde então tomei o hobbie como objetivo.

Mas nunca o encontrei. Ainda não.
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Re: epic of renmant - 11/5/2019, 22:15

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Edição de Aniversario por Shion e Senko.