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Naruto RPGAkatsukiNão é o único, simplesmente o melhor!
Arco 11:
Reino de Lilith: PesadeloAno: 71DG
Após uma dura jornada, Shaka finalmente caiu e teve a maldição retirada de seu coração. No entanto, os problemas trazidos pela família Hattori não se extinguiram. Shion revelou ter ajudado a libertar Lilith, uma monarca da dimensão infernal, que agora está possuindo o corpo de Hyuga Katsura e libertando uma horda de seres infernais contra este mundo. O mundo corre risco de ser consumido pela maldade dessa criatura, mas não se o plano de Shion der certo: forçar Lilith a causar um evento chamado de O Grande Eclipse, onde as portas de todos os mundos e dimensões ficarão abertas, e assim permitir a ele ir ao submundo resgatar sua amada Katsura Grey para finalmente selar Lilith.
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[F] The Death, XIII - 22/12/2018, 00:03



Kaisō-roku (回想録, Reminiscer)

TRILHA SONORA.

Alguns dizem que o fim é sempre o começo, outros, que o fim é apenas uma parte da jornada, mas para a flor da sinceridade, o fim é apenas o fim. Trajada com as roupas habituais, botas calçavam os pés e um grande casaco azul esquentava meu corpo na madrugada fria, acompanhando nessa função, um cachecol amarelado de pelos. Havia recebido uma missão aparentemente simples, mas o simbolismo por detrás daquilo mexia comigo de uma forma surreal. —— Ela poderia ter mandado qualquer outro para checar aquele local, por que logo eu? —— Reclamava, inutilmente, nada mudaria meu destino naquela noite.

A máscara seca cobria meu rosto, ocultando minha identidade. Naquela noite, não me portava como Makoto, mas como Sombra. As luzes fracas e quase inexistentes das ruas e vielas me tornavam transparente, invisível, capaz de me camuflar por entre a escuridão como nenhum outro, sendo este o motivo para meu nome. Vaguei sem pressa pelos prédios, saltando por entre eles sem dificuldade, tentando ganhar tempo, provavelmente.

As nuvens negras no céu marinho indicavam o que o cheiro já dizia tão bem, a chegada da estação das chuvas estava próxima. A paisagem mórbida que meus olhos se encantavam não possuía explicação, mas a alma desta pobre garota, novamente órfã e sozinha, ansiava pela escuridão, tal como um bebê anseia por sua mãe. Talvez a perda houvesse me fortalecido, era difícil ter certeza, tudo que restou daquela flor era um casulo vazio, ao qual precisava encontrar seu propósito para se encher de conteúdo outra vez.

Pensei em chorar, mas minhas lágrimas se recusavam a escorrer, meu coração já sequer batia mais. Não era possível encontrar tristeza nesse pequeno corpo, tudo que restou era o vazio, o vácuo. Meu ser se movia sem vontade, sem propósito, apenas para satisfazer sua aldeia e nada mais. Minha mãe gostaria disso, que me mantivesse firme e forte para proteger os outros, para proteger quem tem importância para mim.

Parei sobre a construção rochosa que se assimilava a um antigo monastério, as gárgulas também rochosas me faziam companhia naquela noite cinza. —— Acho que não há mais o que ser feito. —— Pronunciei, antes que um trovão cortasse o céu, iluminando a tudo por um milésimo de segundo, antes das frias gotas de água começarem a cair, como pequenos canivetes, fincando em minha pele e criando vapor em minha respiração fervente. —— Chegou a minha hora.

Saltei daquela antiga construção, caindo de pé nos escombros que marcavam meu inferno pessoal. Um enorme túnel subterrâneo era o que se destoava do que restava daquele prédio, erguido pela metade, com paredes negras e manchadas de fuligem. As chamas criadas naquele dia ainda queimavam na minha mente, marcando em minha memória todas as perversidades cometidas naquele local. Me atreveria a entrar de uma vez só naquele abismo sombrio, mas um pedaço de pano laranja me chamou a atenção próxima à entrada. O número gravado naquele tecido fez meus olhos tremerem, mas minha compostura se mantinha intacta. —— #240?

Meus músculos se paralisaram e a culpa recaiu sobre meu corpo inteiro, fechei os olhos por um segundo, engolindo a aceitação, tornando-me novamente sã, ou quase. Me lembrava perfeitamente daquele dia, aquele maldito dia. A número 240 era minha companheiro de cela, minha amiga, minha única amiga. Durante as explosões que deram fim ao laboratório, ele se sacrificou para me tirar de dentro daquele inferno. O único problema naquilo tudo, é que eu a vi queimar, completamente, não havia como isso estar do lado de fora. Algo muito errado estava acontecendo ali.

Cerrei os punhos, guardando aquele pedaço de tecido na bolsa de armas, antes de avançar para a escuridão. Aquele enorme lance de escadas descia até uma camada profunda e esquecida da cidade, talvez fosse o próprio inferno, quem sabe. Passei um bom tempo descendo os degraus, sem movimentos bruscos, já que a escuridão poderia fazer com que me atrapalhasse e me envolvesse em algo desagradável. O último passo foi dado ao notar o fim da escadaria, dando de frente para uma enorme e resistente porta de metal, com talvez algo próximo de cinco metros. Um simples toque no corpo metálico foi o suficiente para iluminar o ambiente, conforme as luzes internas e externas do laboratório se acenderam, tornando possível enxergar novamente, mesmo que um rápido e leve incômodo fosse sentido no começo.

O portão se abriu, rangendo como me lembrava tão bem, assim como nos dias passados. Dei poucos passos, adentrando o inferno outra vez. O eco de meus passos ressoava até onde os meus ouvidos alcançavam, tornando possível que qualquer um presente pudesse ouvi-los. —— Olá, alguém aí? —— Indaguei aos ventos, já que aparentemente não havia ninguém vivo naquele local estúpido. —— Bom, não custa nada ter certeza. —— Ativei meu sensoriamento, vasculhando o local por alguma assinatura de chakra, sem sucesso algum. Com um sorriso fraco de alívio, prossegui pelo local, já que minha missão ali era checar todos os destroços, para realizar a recuperação de possíveis dados.

Não me lembrava aonde ficavam os computadores principais, já que eles não nos deixavam sair de perto das celas. Cada criança naquela instituição possuía uma habilidade diferente, o que criavam problemas para os cientistas e os guardas, que os trancavam praticamente o dia inteiro, com apenas alguns minutos de ar livre todos os dias. Todas as crianças eram obrigadas a vestir um colar eletrônico, que as desmaiava a toda tentativa de usar suas habilidades, tornando impossível a fuga.

Caminhei sem parar, aquele campo de concentração era enorme, maior do que qualquer coisa que houvesse testemunhado até então. A nostalgia era quase inexistente, mas ainda estava lá, já que ainda possuía lembranças boas daquele local. Amizade, companheirismo, cooperação e compreensão, coisas as quais sentia falta e que jamais voltariam. Parei de caminhar ao ouvir um som mecânico, engrenagens se movendo como se um mecanismo desejasse funcionar, mas com muito esforço. Pequenos sinos eram tocados, algo que chamou ainda mais a atenção, era um som familiar, algo que ouvia todos os dias, deveria dizer. Dei alguns passos, pouquíssimos, parando de frente para uma grade, cujas barras tortas e quebradas ainda tinham uma aparência firme e robusta, mesmo após tanto tempo. —— Não, tá brincando comigo. —— Desejava, realmente era o que queria, mas a realidade tem esses momentos em que gosta de nos fazer de bobos e nos ver entristecer.

De pé, dentro da cela que um dia pertenceu a mim e a minha maior companheira, jazia seu brinquedo favorito, uma bailarina que cintilava em brilho ao rodopiar sobre um eixo fixo, graciosa como sempre, brilhante como nunca, foi o suficiente para tirar uma pequena lágrima de meu olho direito. Um sorriso bobo marcou meu rosto, enquanto adentrei a cela para agarrar o brinquedo, admirando-o de minhas mãos pálidas.

Guardei o brinquedo em um bolso interno do casaco, já que não era tão grande, caberia sem problema. Estava pronta para retomar minha tarefa, quando as luzes trataram de piscar, começaram a cintilar rapidamente, indecisas, até que uma risada fraca e cansada deu fim ao problema, aumentando rapidamente para uma gargalhada fria, mas ainda assim, familiar. Meus olhos se arregalaram e meu corpo tremeu, a silhueta dela surgiu a minha frente, aproximando-se aos poucos, com as mãos se agarrando a barriga que deveria doer de tanto rir, antes de alcançarem os olhos cheios de lágrimas, secando-os. —— Então você voltou, quanto tempo isso faz, #130. Você mudou bastante. —— A figura disse, com a mesma voz de tanto tempo. —— Você...não havia morrido? Como você sobreviveu, #240? —— Indaguei, confusa com minhas próprias lembranças, descrente de mim mesma.

A garota de longos cabelos negros ergueu seus braços, sua aparência era a mesma que a minha, sim, ela era uma gêmea minha, criada alguns dias antes de mim. Com seus braços abertos, corri até ela, abraçando-a o mais forte possível, checando se ela era mesmo real. Provavelmente, a garota diante de mim tinha seus demônios, assim como todos, mas o sorriso perturbador em seu rosto dizia mais do que o necessário. Mais do que minha amiga, mais do que minha gêmea, ela era também minha nêmesis.

De sua lombar, sua kagune se mostrou, pronta para atacar. —— Você desconhece tanto sua própria linhagem, garota estúpida? —— Provocou, antes de atravessar seu próprio corpo, perfurando meu peito em seguida, fazendo o sangue jorrar como uma cachoeira carmesim, tirando um pouco do brilho de meus olhos. —— Você me deixou para morrer, sua irmã. Você se esqueceu do nosso acordo, não foi? —— Esbravejou, cuspindo as palavras com ódio e um rancor inigualável. Me lembrei mais uma vez daquele dia, mais nitidamente do que antes. —— Nosso acordo, né? —— Exclamei, recuperando as forças. —— Nosso acordo era que fugiríamos juntas, mas você foi estúpida a ponto de se sacrificar por mim! —— Vociferei, conforme as veias de meu olho esquerdo saltavam, liberando toda a ferocidade de minhas células. A kagune penetrou por entre nossos corpos, recortando a kagune de minha agora inimiga, arrancando-a num piscar de olhos. —— Eu não pedi por aquilo, você deveria ter me deixado queimar com você, não ter se sacrificado por mim! —— Reclamei, explicando-a com todas as palavras o motivo de sua ira não ser justificável.

Ela sorriu, mais sombria do que nunca. —— Não se preocupe, porque agora, você morrerá. —— Encerrou, estalando os dedos como se chamasse por alguém, ou algo. Com o som do estalo, meu corpo começou a tremer, um enjoo me levou a regurgitar, conforme uma sensação de calor tomou todo meu ser. Me perguntei o que estava acontecendo, mas a pior parte estava por vir. Uma dor sem igual tomou conta de minhas costas, descendo até a lombar, desativando minha kagune a força. Senti minhas costas se abrindo, como se algo cavasse de dentro para fora e nesse momento, minha kakuho foi cuspida para fora do corpo, simplesmente eliminando totalmente as habilidades genéticas que possuía.

A garota se pôs a rir, havia concluído seu plano. —— Não se preocupe, #130, agora você encontrará a paz, já que sem a habilidade de se curar, dificilmente recuperará seu coração. —— Dizia, lentamente, conforme sua mão penetrava meu peito, avançando lentamente até a caixa torácica. Pensei que talvez, meu fim fosse me trazer a paz, já que minha existência havia já perdido seu sentido e não me restava nada além de solidão. As lágrimas caíram novamente, conforme a mão quente de minha irmã abraçava meu coração frio e parado, envolvendo-o completamente. —— Obrigada por tudo, minha querida irmã. —— A agradecia, genuinamente, pelo enorme favor ao qual ela me fornecia. Ela, sem entender nada, confusa, mas ainda sentindo o peso de suas ações, também se pôs a chorar, mesmo sem parar o que fazia.

Nossos olhos se encontraram e a escuridão tomou conta, tornando o escuro tudo que podia ver. Não ouvia nada, não sentia mais nada, a dor havia ido embora e estava sozinha no vazio, assim como em vida. Me sentei no chão, se é que havia realmente um chão ali, pensando nas escolhas que havia tomado para minha vida. Me tornar líder dos lobos, me tornar filha de Freyja, me tornar Anbu, entre outras menos importantes. Todas essas decisões foram movidas pelo mesmo propósito, pensei, ajudar os outros, não é? Não, eu estava errada e nesse momento, meus olhos se abriram para o mundo outra vez. A imagem da garota a minha frente arrancando tudo que havia feito desde que me libertei, me tornava irada, estava realmente nervosa como nunca antes. Minha destra se levantou contra ela, mas minhas forças já não eram mais as mesmas. Toquei seu rosto uma última vez, retirando as lágrimas de seu rosto macio. —— Tem apenas uma coisa que você não sabe, minha irmã...meu nome agora, é Makoto. —— Expliquei-a, conforme as gotas de seus olhos penetravam minha pele, sendo absorvidas pela mesma.

Todas as minhas escolhas até o momento não eram para ajudar os outros, eram para mim mesma, para que eu pudesse sobreviver nesse mundo hediondo. E antes que meu coração se distanciasse mais de meu corpo, ele se liquefez, derramando para dentro de meu corpo outra vez. —— Eu lamento, mas eu não posso morrer aqui e nem agora. —— Encerrei, conforme meu corpo todo começou a se tornar água. Um soco ineficaz de minha irmã atravessou meu peito, servindo de ponte para que pudesse chegar até sua boca, por onde penetrei, ocultando-me dentro de seu corpo. Pensei em como me desculpar, em como compensá-la por todas as coisas errôneas que fiz com ela durante esse tempo, seus gritos altos e agudos se espalharam pelo ambiente, quando julguei desnecessário dizer qualquer coisa, algum dia a veria do outro lado e me desculparia genuinamente. Por um segundo, seus gritos se encerraram, antes que seu corpo se desfizesse em zilhões de pedaços, sendo totalmente explodido de dentro para fora.

A única coisa de pé ali era eu mesma, com uma habilidade nova que tampouco entendia, mas que havia salvo minha vida. Os restos do que um dia foi minha querida irmã, jaziam no chão frio, mas sua kakuho inteira me dizia que ela voltaria outra vez, tal como fez uma vez. Com pesar, esmaguei-a com meu pé, garantindo uma morte verdadeira para ela, enfim.

Caminhei até a central científica, sem dizer uma só palavra. Meus olhos possuíam todo o brilho de quando havia escapado daquele inferno, após ver minha irmã morrer, vê-la morrer outra vez feria meu espírito. Me sentei a frente de um computador, procurando por todas as informações ao meu respeito. A origem genética se dava da kakuho do antigo Hokage, cujo nome não foi citado no arquivo. Mas além da kakuho, o corpo criado para o experimento deve como base as células de outro espécime, cuja habilidade é a de se liquefazer a vontade, tornando as células da kakuho mais aceitáveis e compatíveis com o corpo, para que não houvesse deformações ou rejeição. A cadeia genética do Hokage estava carregada de inibidores que adormeciam a habilidade natural de meu corpo, impedindo-me de despertar ambas as habilidades ao mesmo tempo.

Li tudo que os arquivos tinham a dizer sobre mim, antes de retirar o HD e guardá-lo comigo, para levá-lo até a Hokage. Meu casaco estava arruinado, com o buraco feito pela kagune daquela lunática, mas o que me incomodava mesmo era que o brinquedo da bailarina havia sido destruído, assim como as lembranças felizes que possuía daquele local. Suspirei com meus olhos fechados, aceitando minha vida amaldiçoada e deixando aquele inferno outra vez. Não havia mais nada ali para mim, nada que valesse a pena.

Palavras: 2400.
Objetivo: Trocar Washu por Hozuki.
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Vilarejo Atual

Re: [F] The Death, XIII - 27/12/2018, 22:58

dava pra trocar de clã duas vezes aí. q
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Edição de Aniversario por Shion e Senko.