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Naruto RPGAkatsukiNão é o único, simplesmente o melhor!
Arco 11:
Reino de Lilith: PesadeloAno: 71DG
Após uma dura jornada, Shaka finalmente caiu e teve a maldição retirada de seu coração. No entanto, os problemas trazidos pela família Hattori não se extinguiram. Shion revelou ter ajudado a libertar Lilith, uma monarca da dimensão infernal, que agora está possuindo o corpo de Hyuga Katsura e libertando uma horda de seres infernais contra este mundo. O mundo corre risco de ser consumido pela maldade dessa criatura, mas não se o plano de Shion der certo: forçar Lilith a causar um evento chamado de O Grande Eclipse, onde as portas de todos os mundos e dimensões ficarão abertas, e assim permitir a ele ir ao submundo resgatar sua amada Katsura Grey para finalmente selar Lilith.
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[F] JUNICHIRO HISOKA - 4/5/2018, 17:43




ACID TRIP


     A noite era densa. Ventava muito e nuvens cobriam as duas luas. Pássaros negros rasgavam o céu em um incessante crocitar. Trovões retumbam e, de repente, a chuva. Do lado de dentro, um grito:
   — Está vivo!
    O ácido borbulhava dentro do recipiente, suas cores oscilantes. Hisoka observa curioso aquilo que era feito por Hoshido, prestando atenção aos mínimos detalhes e fazendo anotações enquanto sua mentora explicava como tinha chegado àquele resultado.
    Escreveu os compostos químicos necessários, as plantas que poderiam substituí-los e a ação produzida por ele. Esse ácido em questão era fraco como agente corrosivo — conseguia destruir certos tipos de papel, mas nada além disso —, mas forte como alucinógeno; e justamente por isso fora colocado junto das substâncias soníferas em seu grosso livro de capa preta. E, sim, era grosso. Com divisórias para diferentes tipos de compostos, instruções sobre a produção de cada um deles e belas ilustrações manuais de plantas e de como deveriam parecer os resultados finais das receitas, aquele diário era cheio de conteúdo teórico, e seu tamanho refletia isso.
    Havia, porém, um problema: apesar de todo seu conhecimento científico, o garoto nunca tivera a chance de aplicar seus conhecimentos. Hoshido o ajudava com Ninjutsu e até com suas corridas, mas nunca com trabalhos manuais como aquele ou mesmo Taijutsu. Ele sempre deixava aquilo passar batido, mas havia algo de especial naquela noite, e o clima parecia propício. Ele pediu:
    — Posso tocar?
    Quando a mestre assentiu, ele prosseguiu, seguindo com a mão pálida até o recipiente. Estava próximo a encostá-la no líquido quando a mulher deu um tapa em sua mão, fazendo com que ele levasse um susto.
    — Não assim.
    — Então como? — perguntou o aprendiz.
    Ela ficou em silêncio, deixando que ele pensasse. Normalmente a relação deles era muito mais afetuosa — um destaque na vida do ninja, tão fechado para amizades —, porém a moça mostrava um semblante muito mais sério naquele momento. Mais tarde ele entenderia que ela estava prestes a ir embora e por isso todo aquele ar solene, mas durante aquela noite Hisoka só conseguia pensar que estava a decepcionando ao ser tão pouco cuidadoso.
    Tentando melhorar a situação, ele resolve utilizar suas habilidades com Suiton para manipular o líquido. A mestra não pareceu satisfeita, mas mostrou como deveria ser feito. Concentrou chakra ao redor de suas mãos, como se formasse uma luva, e então manipulou o ácido sem queimar-se ao tocar nele, fazendo isso através de um fluxo de energia que saía diretamente de sua mão. Era uma boa estratégia? Sim, mas o jovem shinobi não via a vantagem disso sobre o seu método. Ainda assim, não questionou e anotou a técnica em seu livro, logo tentando reproduzí-la.
    Depois de uma breve dificuldade inicial, o rapaz conseguiu controlar o seu chakra daquela forma, conseguindo “tocar” o ácido sem mesmo que ele molhasse sua mão. Mas não era o suficiente. Ele queria aprender a fazer aquele ácido, e não apenas aprender como manipulá-lo.
    — Eu posso preparar um desses agora? — perguntou, deixando de lado o recipiente já pronto.
    — Pode. Você já tem as instruções anotadas, não tem? — ela respondeu, ainda séria.
    — Tenho.
    A partir daí, voltaram a ficar em silêncio por um bom tempo.
    Hisoka se levantou e seguiu pelo “laboratório” do pai, onde ele e Momo trabalhavam naquele tipo de composto. O ambiente estava iluminado por velas e os potes nas prateleiras refletiam a luz alaranjada delas, todos cheios com os mais diferentes produtos. Algumas das prateleira tinha ervas medicinais, de cheiro bom e chás agradáveis, mas outras tinham pós e pílulas, remédios desenvolvidos no laboratório das mais variadas cores e para as mais diferentes funções. As demais eram cheias de itens suspeitos, alguns até mesmo supersticiosos: havia amuletos de boa sorte, estranhos solventes, olhos de animais, flores roxas, uma espécie de farinha preta... Era um ambiente cheio de informação e até mesmo confuso em sua organização, mas com o tempo o garoto se acostumava com toda aquela bagunça e aprendia a lidar com elas.
    Ele pegou todos os potes que continham os ingredientes necessários e, junto deles, um recipiente para sua criação. Colocou ingrediente sobre ingrediente, os vendo borbulhar, crescer e evaporar enquanto formavam o ácido. As cores ficavam cada vez mais brilhantes, e o líquido se mexia de um lado para o outro conforme as reações eram desencadeadas.
     Dia após dia, mesmo após o sumiço de Ashido, Hisoka treinava, empenhado em obter conhecimento sobre ácidos e toxinas. Experimentava diferentes compostos todos os dias, testava todos os seus ácidos em  pequenos ratos azarados e experimentava ele mesmo dos venenos, colocando sua resistência toxicológica à prova. Nem sempre era lindo: às vezes as cobaias fugiam, os vidros quebravam, o ácido corroía um pouco da mesa. Às vezes os ingredientes faltavam, suas mãos se machucavam, o ácido falhava. Mas a cada sucesso, do lado de dentro um grito:
    — Está vivo!
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824 palavras
Treinamento Conhecimentos Toxicológicos (1)



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[MF]//[B]//[MS]//[CJ]//[C]

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Re: [F] JUNICHIRO HISOKA - 4/5/2018, 18:36

Filler para treinar qualidade é 1400 palavras.
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Re: [F] JUNICHIRO HISOKA - 5/5/2018, 12:09




ACID TRIP


     A noite era densa. Ventava muito e nuvens cobriam as duas luas. Pássaros negros rasgavam o céu em um incessante crocitar. Trovões retumbam e, de repente, a chuva. Do lado de dentro, um grito:
   — Está vivo!
    O ácido borbulhava dentro do recipiente, suas cores oscilantes. Hisoka observa curioso aquilo que era feito por Hoshido, prestando atenção aos mínimos detalhes e fazendo anotações enquanto sua mentora explicava como tinha chegado àquele resultado.
    Escreveu os compostos químicos necessários, as plantas que poderiam substituí-los e a ação produzida por ele. Esse ácido em questão era fraco como agente corrosivo — conseguia destruir certos tipos de papel, mas nada além disso —, mas forte como alucinógeno; e justamente por isso fora colocado junto das substâncias soníferas em seu grosso livro de capa preta. E, sim, era grosso. Com divisórias para diferentes tipos de compostos, instruções sobre a produção de cada um deles e belas ilustrações manuais de plantas e de como deveriam parecer os resultados finais das receitas, aquele diário era cheio de conteúdo teórico, e seu tamanho refletia isso.
    Havia, porém, um problema: apesar de todo seu conhecimento científico, o garoto nunca tivera a chance de aplicar seus conhecimentos. Hoshido o ajudava com Ninjutsu e até com suas corridas, mas nunca com trabalhos manuais como aquele ou mesmo Taijutsu. Ele sempre deixava aquilo passar batido, mas havia algo de especial naquela noite, e o clima parecia propício. Ele pediu:
    — Posso tocar?
    Quando a mestre assentiu, ele prosseguiu, seguindo com a mão pálida até o recipiente. Estava próximo a encostá-la no líquido quando a mulher deu um tapa em sua mão, fazendo com que ele levasse um susto.
    — Não assim.
    — Então como? — perguntou o aprendiz.
    Ela ficou em silêncio, deixando que ele pensasse. Normalmente a relação deles era muito mais afetuosa — um destaque na vida do ninja, tão fechado para amizades —, porém a moça mostrava um semblante muito mais sério naquele momento. Mais tarde ele entenderia que ela estava prestes a ir embora e por isso todo aquele ar solene, mas durante aquela noite Hisoka só conseguia pensar que estava a decepcionando ao ser tão pouco cuidadoso.
    Tentando melhorar a situação, ele resolve utilizar suas habilidades com Suiton para manipular o líquido. A mestra não pareceu satisfeita, mas mostrou como deveria ser feito. Concentrou chakra ao redor de suas mãos, como se formasse uma luva, e então manipulou o ácido sem queimar-se ao tocar nele, fazendo isso através de um fluxo de energia que saía diretamente de sua mão. Era uma boa estratégia? Sim, mas o jovem shinobi não via a vantagem disso sobre o seu método. Ainda assim, não questionou e anotou a técnica em seu livro, logo tentando reproduzí-la.
    Depois de uma breve dificuldade inicial, o rapaz conseguiu controlar o seu chakra daquela forma, conseguindo “tocar” o ácido sem mesmo que ele molhasse sua mão. Mas não era o suficiente. Ele queria aprender a fazer aquele ácido, e não apenas aprender como manipulá-lo.
    — Eu posso preparar um desses agora? — perguntou, deixando de lado o recipiente já pronto.
    — Pode. Você já tem as instruções anotadas, não tem? — ela respondeu, ainda séria.
    — Tenho.
    A partir daí, voltaram a ficar em silêncio por um bom tempo.
    Hisoka se levantou e seguiu pelo “laboratório” do pai, onde ele e Momo trabalhavam naquele tipo de composto. O ambiente estava iluminado por velas e os potes nas prateleiras refletiam a luz alaranjada delas, todos cheios com os mais diferentes produtos. Algumas das prateleira tinha ervas medicinais, de cheiro bom e chás agradáveis, mas outras tinham pós e pílulas, remédios desenvolvidos no laboratório das mais variadas cores e para as mais diferentes funções. As demais eram cheias de itens suspeitos, alguns até mesmo supersticiosos: havia amuletos de boa sorte, estranhos solventes, olhos de animais, flores roxas, uma espécie de farinha preta... Era um ambiente cheio de informação e até mesmo confuso em sua organização, mas com o tempo o garoto se acostumava com toda aquela bagunça e aprendia a lidar com elas.
    Ele pegou todos os potes que continham os ingredientes necessários e, junto deles, um recipiente para sua criação. Colocou ingrediente sobre ingrediente, os vendo borbulhar, crescer e evaporar enquanto formavam o ácido. As cores ficavam cada vez mais brilhantes, e o líquido se mexia de um lado para o outro conforme as reações eram desencadeadas… mas quando terminou, descobriu que errara a quantidade de uma das substâncias e acabou estragando o produto final com isso. Esse fracasso, ainda que decepcionante, acabou sendo muito importante para o seu desenvolvimento. Percebeu que, apesar de inteligente, tinha muito a aprender e não deveria acelerar as coisas.
    Quando Ashido desapareceu no dia seguinte, ele ficou muito abalado emocionalmente, mas não deixou que isso afetasse seu aprendizado. Naquela mesma noite, chamou o pai - experiente em Botânica e na Toxicologia - e com ele começou a seguir um cronograma, iniciando com uma toxina bem simples. Primeiramente colocou água dentro de uma panela, deixando esquentar a fogo baixo por alguns minutos. Enquanto a água começava a borbulhar, ele macerou folhas vermelhas dentro de uma tigela, salpicando um pó verde em cima do resultado da maceração. Jogou o conteúdo do recipiente dentro do caldeirão e deixou ferver por três minutos. Quando olhou para o lado de dentro, o líquido havia se tornado avermelhado e o pó verde não era mais visível, tendo sido dissolvido na água. Abafou o fogo, apagando-o, e colocou o composto dentro de um pequeno pote de vidro, selando o trabalho ao colocar um pouco de álcool e o óleo essencial de uma flor estrangeira. A consistência e a textura estavam corretas: estava pronto.
    Ao obter sucesso, descobriu que aquilo era bem mais fácil que criar ácidos e acabou tomando gosto pela coisa, resolvendo focar-se nisso ao invés de pular direto para uma ciência mais complexa, como estava fazendo com Ashido. Por isso, fez mais um veneno no dia posterior àquela, daquela vez trabalhando apenas com o álcool e sem necessidade de fogo.
    Mergulhou uma flor índigo macerada no álcool e diluiu nele um pouco de óleo negro e tinta vermelha, dando à substância uma aparência sangrenta e chamativa. Em seguida, misturou no líquido com um Senbon um pó rosa semelhante ao verde usado na receita anterior, e fechou o recipiente. Agitou o pote com as mãos e, quando abriu para conferir a textura, o cheiro forte empesteou o ambiente e ele percebeu que uma espécie de película preta havia se formado sobre o líquido. Vendo aquilo, imaginou ter falhado, mas seu pai disse que aquilo era normal - cada toxina teria um cheiro e uma textura diferente, e aquilo deveria ser esperado por ele.
     Para provar que isso era verdade, no mesmo dia o boticário mostrou ao filho a variedade existente de venenos, não apenas mostrando que haviam venenos gasosos, em pó e mesmo em barra, como também dando as origens e receitas dessas toxinas. O garoto se mostrou particularmente interessado pelos gases tóxicos, e por isso Akira - seu pai - fez com ele, mostrando que, apesar de mais difícil que os venenos mais tradicionais, ainda era possível fazer mesmo sem muito refino tecnológico.
     Ficando ainda mais inspirando depois desse aprofundamento teórico e prático, anotou tudo que pôde em seu caderno e tentou realizar a receita com gás, mas estava muito cru e acabou não conseguindo fazer muito bem, chegando a algo parecido mas visivelmente mais fraco ao ser testado em uma das cobaias do pai. Novamente, a falha o fez progredir e ele resolveu continuar treinando para superá-la.
    No quarto dia de seu treinamento com o pai, um grande roedor surgira em sua casa, roendo móveis e roubando comida. De forma a confirmar suas habilidades e provar que seus venenos funcionavam, ele repetiu sua primeira receita, deixando no chão um prato de grãos “batizado” nele. Como aquilo funcionou, ele resolveu produzir um pequeno estoque daquele veneno, que ficava em casa para matar pequenos invasores.
    Dia após dia, Hisoka treinava, empenhado em obter o máximo de conhecimento possível sobre toxinas. Experimentava diferentes compostos todos os dias, testava todos os seus venenos em  pequenos sapos azarados e até mesmo experimentava ele mesmo os compostos, colocando sua resistência toxicológica à prova. É claro, nem sempre era lindo: às vezes as cobaias fugiam, os vidros quebravam ou alguém interrompia seu processo de criação. Mesmo assim, ele sentia que aquele era um de seus pontos fortes, e persistiu em absorver os ensinamentos de seu pai em cima daquilo até chegar ao ponto onde estava confortável o bastante para criar suas próprias toxinas e aplicá-las em batalha.
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1434 palavras
Treinamento de Qualidade Conhecimentos Toxicológicos (1)
Limite Semanal: 1/1





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[MF]//[B]//[MS]//[CJ]//[C]

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Convidado
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Re: [F] JUNICHIRO HISOKA - 5/5/2018, 12:16

@Aprovado
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Re: [F] JUNICHIRO HISOKA - 12/5/2018, 15:30




ACID TRIP


     Um dia, Junichiro Hisoka já foi alegre. Antes de encontrar nos livros o refúgio para seus segredos e o caminho para seus desejos, ele era uma criança muito ativa, fã de esportes e cheia de  . Pique-esconde, pique-pega, corridas, lutinha — levou um bom tempo e um belo corte para que ele finalmente abandonasse essas coisas pela atividade intelectual.
Durante essa parte de sua vida, ele tinha um grupo de cinco quatro. Tanizaki Hatachi,Hanako Ayaka, Kohaku Nobuyuki e Hisoka: o mais forte, a mais veloz, o mais resistente e o mais inteligente, que juntos formavam o imbatível Esquadrão N. A equipe de crianças gastava suas tardes livres perambulando pela vila, correndo um atrás do outro e se perdendo nos mais diferentes lugares, desde a Academia Ninja até a floresta. Assim, os cinco desenvolveram desde cedo um amplo conhecimento de campo sobre seu local de origem, tal como se divertiam bastante todos os dias.
O episódio aqui narrado acontece antes da radical transição de nosso protagonista para o mundo científico.

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Era uma manhã de verão. Os gafanhotos cantavam alto, o silêncio amplificando suas vozes por toda a cidade. Pássaros migratórios podiam ser vistos pelo céu alaranjado, pousando em direção à floresta enquanto cantavam suas canções de acasalamento. Os feixes de luz solar iluminava todos os locais, acendendo sombras e revelando o orvalho das plantas. Uma das casas exalava o aroma de massa sendo assada. A criança suspeitava que fosse a casa de Tanizaki Hatachi, mas não se deu ao trabalho de confirmar aquilo: sabia que ele não estava em casa. Na verdade, nenhum de seus amigo estavam. Haviam combinado de sair logo cedo para brincar na floresta, e Hisoka tinha certeza de que tinham feito aquilo enquanto ele dormia.

Saiu sozinho de casa, tentando pensar em algo para fazer enquanto aproveitava aquele sol quente em sua pele. Foi ao Campo de Treinamento da vila, pensando em brincar de tiro ao alvo com uma kunai ou shuriken, mas foi barrado. Passou na casa de colegas fora de seu núcleo de amizades, mas não encontrou ninguém que queria brincar com ele. Procurou alguma senhorinha em quem pregar uma peça, mas também não encontrou nenhuma nas ruas que passou. Desapontado, voltou à sua residência, indo até a mesa da cozinha e arranjando um pão.

Comia desinteressado, até que ouviu do lado de fora o latido de um cachorro. Se levantou e começou a ir naquela direção, carregando a comida fortemente em sua mão esquerda. O cão ladrou mais uma vez e ele seguiu em seu caminho, logo saindo pela porta para deparar-se com uma Dai Yua agitada, que abanava o rabo e parecia bem assustada.

Yua era uma cadela feia, gorda e, apesar de velha, estava bem prenha. Seus pelos eram finos e brancos, com algumas manchas marrom sobre do fundo alvo que começava a cair. Ela tinha também uma cicatriz ao lado do olho esquerdo e faltava a ponta de sua orelha direita, retirada por um gato durante uma briga por alimento. Vivera naquela rua desde antes do nascimento do Esquadrão N, mas foi só com ele que começou a ter relevância verdadeira nas redondezas. Ela sempre acompanhava o grupo, acostumada a receber guloseimas, carinhos e ordens que seguia adestradamente. Se você ordenasse que ela sentasse, ela sentava. Se pedia que ela deitasse, ela deitava. Se pedisse que ela mordesse Yua, a menina mais chata da região e a quem seu nome é uma homenagem, podia ter certeza de que ela ao menos tentaria fazer isso. Era um geral um animal amigo, prestativo e alegre, um bicho que com certeza merecia aquele pedaço de pão — o qual o menino jogou rapidamente ao chão, esperando que ela comesse à vontade —, mas o pavor impresso em seus olhos era imenso o bastante para não deixá-la se alimentar.

Procurando o problema, Hisoka olhou em volta, mas não encontrou nada de muito diferente senão um besouro grande e insistente que se remexia de um lado pro outro com as patinhas para cima, tentando desvirar o seu corpo para voar em liberdade. Começou então a escanear pelo corpo da vira-lata, tendo como ponto inicial o seu rosto. Não parecia ter novos cicatrizes ou machucados ali, ao menos não naquele ângulo. Prosseguiu, analisando suas costas e depois fazendo com que o animal se deitasse para procurar em sua barriga. Os bebês pareciam curiosamente quietos, mas nada além disso… até que procurou nas patas, e lá estava a marca: duas feridas profundas e inchadas de onde saía sangue e pus, os tecidos ao redor claramente infeccionados.

Seu palpite era o de que uma cobra haveria mordido a cadela há algum tempo, a envenenado e só agora com o machucado infeccionado ela se sentia realmente debilitada. Se isso fosse verdade, seus filhos já estariam mortos — o que justificaria sua quietude dentro do ventre. Hisoka se sentiu triste sobre aquela situação, mas não podia deixar que o caso piorasse. Usou toda sua força para segurar a cadela em seu colo e a levou até o laboratório do pai, que estava tão vazio quanto o resto da cidade parecia estar.

Sozinho e desesperado, correra os olhos pelas prateleiras do pai, procurando algo que poderia ajudar com suas ainda fracas capacidades de leitura infantis. Veneno para ratos, óleo essencial de rosa, pomada analgésica de flores; antídoto. Será que servia para cobras? Esperava que sim.

Abriu a garrafa e forçou o líquido na garganta do animal, esperando que ele não vomitasse. Então pegou a pomada e começou a aplicar sobre o machucado enquanto a cadela se contorcia, claramente sentindo dor ao toque na ferido. Hisoka sentia pena, mas continuou com os cuidados. Deveria fechar o curativo ao redor de sua perna ou tentar desinchar o machucado? Será que ainda tinha veneno ali dentro? Não sabia mesmo como prosseguir, então se limitou a abraçar o cão e ficar ali esperando até que seu pai chegasse para terminar o processo de limpeza e cura da ferida.

— Prometo que vou matar aquela cobra. Prometo. — murmurou.

E foi assim que passou aquela solitária e quieta manhã.
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1012 palavras
Treinamento de Status
Limite Semanal: 1/1





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Re: [F] JUNICHIRO HISOKA - 13/5/2018, 17:50

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Re: [F] JUNICHIRO HISOKA -

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Edição de Aniversario por Shion e Senko.