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Naruto RPGAkatsukiNão é o único, mas simplesmente o melhor!
Arco 11:
Reino de Lilith: PesadeloAno: 71DG
Após uma dura jornada, Shaka finalmente caiu e teve a maldição retirada de seu coração. No entanto, os problemas trazidos pela família Hattori não se extinguiram. Shion revelou ter ajudado a libertar Lilith, uma monarca da dimensão infernal, que agora está possuindo o corpo de Hyuga Katsura e libertando uma horda de seres infernais contra este mundo. O mundo corre risco de ser consumido pela maldade dessa criatura, mas não se o plano de Shion der certo: forçar Lilith a causar um evento chamado de O Grande Eclipse, onde as portas de todos os mundos e dimensões ficarão abertas, e assim permitir a ele ir ao submundo resgatar sua amada Katsura Grey para finalmente selar Lilith.
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Estação: Verão

Urameshi
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[ Filler ] San - em Sab 2 Dez - 21:28

San-san

"O humano, de todos os animais, é o único que machuca seu irmão para roubar-lhe a terra."

Assim li a citação de um velho livro da estante de meu pai, Inuzuka Abe. Durante os anos de academia ninja, isolei-me de todas as pessoas por pensar que tudo o que elas pudessem fazer era causar-me o mal. Durante o recreio, assistia lutas sem nexos entre ninjas de uma mesma turma e pensava: "que idiotas, se querem tanto lutar, deveriam fazê-lo em prol de algo de bom para o mundo. Humanos são mesmo uns idiotas, papai.". Retraída e com muita pouca perspectiva, isolei-me cada vez mais do mundo como um todo, afogando-me em um tempestuoso de trevas e solidão. Todavia, os momentos de refúgios no colo do meu pai bastavam-me para não atingir uma faca contra o meu próprio pescoço. — San-san. — assim brincava Abe com a onomatopeia de meu nome. — Não sei bem o porquê, mas acredito que você, algum dia, será uma estrela que vai arder tão forte quanto o sol. — cochichava em meu ouvido enquanto eu dormia sobre seu colo.

Não conhecia a minha mãe, muito embora não sentisse falta de uma ausência de uma figura materna. Quando menstruei pela primeira vez, lembro o quão embaraçoso fora contar para o meu pai o ocorrido. Por sorte, o homem alto de cabelos escuros de jaleco sempre encontrava uma boa forma de extrair humor das situações tão inusitadas quanto aquela, ainda que soubesse que ele estaria uma pilha de nervos por detrás de seus sorrisos. Na sua estante cercada de livros, poderia achar a resposta para qualquer pergunta que fosse. Lembrar-me dessa forma dele seria um refúgio de momentos difíceis. As vezes, ainda podia sentir aquelas grandes mãos correrem os meus cabelos, agraciando-me sem que fizesse nada para merecê-lo. Mãos quentes, quase sempre quentes, mostravam-me que havia um lugar eterno reservado em seu coração, um lugar no qual poderia me segurar não importando quão forte fosse a tempestade.

Ó, pai, por que abandonastes tua pequena San em uma ilha de desgraças como esta?

O inverno de Konohagakure nunca fora tão inoportuno quanto aquele. Os céus evocavam grandes nevascas que entupiam as avenidas com neve. O sistema de escoamento parecia nunca funcionar e naquele dia em específico todas as saídas da academia foram bloqueadas. Havia um amontoado de crianças que não sabiam ao certo como utilizar seu chakra e, por esse motivo, todos ficaram presos devido à força da natureza invariável. Bem agasalhada, esperei o herói desta tragédia aparecer e levar-me embora daquele lugar de uma vez por todas, não aguentaria mais um segundo sequer vendo tanta estupidez reunida em um lugar só. Engraçado como o tempo parecia não passar naquelas circunstância, por mais clichê que pudesse parecer. O resgate estava cada vez mais atrasado, ao ponto de ter sido encaminhada para casa com a ajuda dos senseis da academia. Sobre as costas do ajudante, senti uma flecha atravessar o meu peito. Suei frio e orei aos deuses que nada tivesse ocorrido.

Em casa, não havia nenhuma das luzes acesas. Bati à porta de casa e ela abriu-se sozinha. Aquilo era muito fora da linha do usual, quase inacreditável acreditar que meu pai havia deixado a porta aberta. Do momento em que abriu-se, amaldiçoei eternamente pertencer ao clã no qual havia nascido. Ser uma Inuzuka garantia-me dotes como os de sentir o cheiro alheio a longas distâncias. Amaldiçoei-o por, no dado momento em que o ar interno invadiu o meu nariz, associei, instantaneamente, o odor de sangue ao bom perfume de meu querido pai. Vocês acreditariam se eu dissesse que o sangue tem cheiro de ferro? É inconfundível. Tentei não pensar em nada de ruim, muito embora todos os sinais denunciassem justamente o contrário. Andei com cautela até o canto de onde provinha o odor. Sobre a banheira lá estava, denunciado em um corpo morto, o meu precioso pai.

Ver aquela cena despertou sensações diversas. Inicialmente, vomitei todo o lanche e, logo em seguida, desabei, em prantos, em direção do chão. Estava a alguns passos daquele que era a única coisa viva em quem confiava a minha própria vida. Havia sangue por todo o chão e a janela estava quebrada. O assassinato fora produzido enquanto ele ainda tomava banho. Desmaiei e, quando consciente novamente, não mais estava em casa. Toda a casa que um dia fora minha estava isolada por fitas adesivas e eu estava em uma sala branca repleta de muitos ninjas segurando pranchetas. Depois de ver aquilo, fechei os olhos e fingi estar dormindo. Tinha um plano simples de fugir quando encontrasse qualquer oportunidade.

Mais tarde naquele mesmo dia infernal, vi que os guardas concentravam-se em outras coisas e aproveitei-me daquilo para fugir por uma pequena janela do banheiro. Na rua havia alguns outros guardas, mas conduzi um jutsu de transformação e facilmente escapei de suas vistas. Uma vez livre, obviamente sabia que me buscariam até os confins do universo, no entanto, corri em direção dos arredores da vila, isto é, uma imensa floresta na qual pudesse me esconder de tudo e todos. Debaixo de uma grande árvore, escorei o corpo contra o seu tronco e novamente chorei. As lágrimas rolaram de meu rosto por toda a noite, até o momento em que simplesmente peguei no sono. O meu subconsciente proporcionou alguns sonhos inesperados nos quais revivi vários momentos com meu pai. Nada poderia confortar-me.

Despertei no dia seguinte com um símio lambendo a minha testa. Tentei expulsá-lo com o uso das mãos, apesar de não ter tido muito sucesso. Persistente, acabei por despertar de uma vez. Espreguicei e pensei em seguir na caminhada afastando-me cada vez mais da vila. Com um olfato apurado, pude sentir todos os perfumes da natureza e esquivar-me daquilo que parecia ser mais perigoso. De repente, deparava-me com um rio. Não perdi tempo. Atirei o rosto contra a água e a bebi com tanta vontade que quase engasguei hidratando-me. Segui o rio, pois parecia ser aquele o caminho que não continha tanto risco.

Caminhei até as pernas não aguentarem mais. Àquela altura, provavelmente não me encontrariam mais, ainda mais por ter meticulosamente livrado-me de todo e qualquer traço deixado para trás. De volta à floresta, novamente senti aquele odor tão odiado por mim: o sangue. Persegui-o, como se nele buscasse uma razão de continuar existindo. A imagem com a qual me deparei só causou-me mais tristeza. Uma cadela, morta, dava de mamar a uma filhote. Tentei me aproximar com cautela, de maneira a não assustá-la. A cadelinha lactente assumiu uma postura agressiva no exato momento em que diminuí a distância entre mim e sua mãe. Não pude deixar de prestar assistência, por mais ameaçador que fosse seu grunhido.

Uma péssima decisão. De repente, enquanto ainda analisava o corpo de sua mãe, percebi que aquilo não fora um simples acidente, mas sim causado pela ação humana. Passando a mão contra o seu pelo, fui atingida por uma bela mordida na destra. Levantei a mão e a pequena corajosa juntas. Depois de balançar um pouco, finalmente ela caiu, porém o fez lesionando a minha mão. Enfaixei a marca de suas presas com a própria roupa do corpo e sentei ao seu lado e da sua mão. Mesmo diante dos latidos, não recuei até que ela se acalmasse por completo. Passado alguns minutos, ela simplesmente se cansou e deitou-se em meu colo. Toda uma tarde foi gasta acariciando-a sobre meu meu colo. Graças a lesão, não tive outra opção senão a de utilizar a mão não dominante. Aquela cena lembrou-me de meu pai, fazendo com que, por alguns instantes, eu ficasse completamente paralisada.

Uma semana se passou naquelas condições. A mãe canina não poderia dar de mamar, afinal, seu corpo já dava alguns sinais de putrefação. Dignamente, enterrei-a naquela floresta e, junto de sua cria, comecei a entender todo o funcionamento daquela floresta. Por sempre utilizar a esquerda, acabei me acostumando a sempre utilizá-la a todos os momentos. Houveram oportunidades onde, inclusive, preferi utilizá-la ao invés de fazer uso da que um dia fora a "dominante". — Seu nome vai ser Moromaru. Faz muito tempo que não abro a boca para nada, no entanto agora é diferente, Moro-chan. Juntas, nós vamos ser muito fortes um dia e fazer com que todo o mundo renda-se aos nossos pés. — discursei com os olhos brilhando. Agora a nomeada Moromaru latiu, como se entendesse aquilo que eu havia dito.

Assim consegui encontrar algo que novamente pudesse me preencher.
treino:
Treinei Ambidestria (1)

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[ Filler ] San Susanoo-no-Mikoto-slaying-Yamata-no-Orochi-in-Kojiki
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Convidado
Convidado
Anonymous
Vilarejo Atual

Re: [ Filler ] San - em Sab 2 Dez - 22:02

@Aprovado.
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Edição de Natal por Loola e Senko.